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Arquivo de Janeiro, 2009

Como todo indivíduo de grande mobilidade mental, tenho um amor orgânico e fatal à fixação. Abomino a vida nova e o lugar desconhecido.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

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Tenho um critério, especial quando contraposto aos demais, para o estudo da Filosofia e para a distinção, no cânone, de a que realmente vale a pena dedicar estudo. Talvez ele lhes seja de alguma valia, este critério cujo principal peso, inclusive, está na contraparte que dele decorre e de que mais à frente falarei. Pois [...]

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Canções para uma manhã de sábado

Porque só Mogwai nos salva a adolescência: The Hawk is Howling.

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Já vi pessoas questionarem se, além da superioridade intelectual dos gostos aí implicados, bem como para lá de uma simples predisposição, um ânimo, uma nuança de caráter, há alguma justificativa “natural” para o conservadorismo. De maneira reta: se a opção (que só pode ser moral) pelo conservadorismo se trata da percepção de algo que você, [...]

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Lia este texto de Vilém Flusser sobre o Fedro quando comecei a recordar de meus tempos de cosac&naifymaníaco. Primeiro, é preciso dizer que a cosac&naifymania não se limita ao espírito do tarado intransigente – “mas é claro que também se lê com as mãos, tocando a aspereza do livro, sentindo o cheiro de suas páginas, [...]

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Vocês já devem ter percebido que o chato não é um ser unívoco. O chato é no mínimo Legião, tem mesmo numerosas fuças, não fosse ainda o caso de dizer ser ele uma hidra na qual, para cada cabeça que lhe cortamos, nasce outra e outra – and counting until out of all count. Sob [...]

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Mesmo hoje, sempre rio um bocado quando lembro de professores a me contarem que, antigamente, o homem acreditava que o planeta Terra tinha o formato de uma pizza, e, caso ultrapassássemos sua borda, cairíamos infinitamente no nada. Convenhamos que era uma idéia fabulosa, algo a que valia a pena dar crédito ilimitado. De outra ponta, [...]

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Que eu conheça, a visão mais bem acabada – e de uma hilaridade cruel – do que é nosso instinto quixotesco em estado puro, e em cegueira estonteante, é a metade bondosa do visconde partido ao meio de Italo Calvino. É aquele arremedo de cavaleiro nobre, altivo e de gentileza infinita, que justamente por querer [...]

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