Aliás, foi em coluna do J.P. Coutinho que li o mais rude e vero depoimento acerca do afrescalhamento que hoje nos caça a todos: disse o português conhecer homens que só “não cortam o próprio pénis porque a lima das unhas não permite”. Que é evidente haver gajos que em nada tonificam a fama da espécie, eis cousa pra nenhum palerma deixar de notar. Até depiladores do próprio tórax implicitamente estão a admitir tal fato quando dizem “calma lá, é só uma cerinha pra deixar o peito liso, nada de mais, ô”. Admitamos, porém: efeminação da ralé é certamente das últimas cretinices em sua extensa lista de infâmias. É só o caso de dizer que o anabolismo gerou o boiolismo. Que o alternativismo ficou tão alternativo que tornou-se emo. Etc. Mas a defesa do tipo bárbaro – lancemos campanha, hombres! – deveria principiar por um saneamento do tipo intelectual. A partir de hoje – leia-se: a partir do momento de publicação deste post, pois sou macho e estou mandando – todo homem com mínimas aspirações intelectuais está proibido de:
* Ouvir chasons françaises como se fossem “a essência primeira”, “o sumo indecantável”, “o zênite da vida” a ser vivida como se tudo fosse uma “longa, liberta e linda” noite de caminhadas pela Roma de La Doce Vita;
* Rechaçar a boçalidade estatista enquanto toma por tolerável a boçalidade liberal por nesta última, bem, “cada um ser livre para ser o que quiser, né”;
* Utilizar expressões como: “pois, como já dizia [fulano cult], (…)”;
* Tomar bons vinhos com os modos próprios a quem visivelmente está tomando bons vinhos. (Toda vez que vejo tipos e tipas que, com taça em mãos, são verdadeiras gazelas de refinamento, sinto compulsão de lhes atirar as obras completas de Porfírio à cara e perguntar de que lhes serve agora toda essa “cultura”);
* Ler René Guénon para saber como esculhambar as saias cor de abacate modernas demais de sua irmã;
* Falar mal de hábitos, gestos ou depoimentos inócuos de homúnculos sabidamente bizarros, possivelmente até já catalogados em lista apropriada (Caetano Veloso, Tarso Genro, algum poetão local, André Petry, o Chimbinha etc.), a fim de autocongratular-se com o amigo mais próximo pela total falta de breguice de seu espírito, enquanto esses outros, “que não são moi“, ficam aí rolando em lama até que respingue merda em minha lata e eu faça cara de nojinho intelectual;
* Considerar Richard Avedon “um gênio”;
Etc.
Esta é, enfim, uma lista que sempre restará parcial, por maior que fosse minha paciência em correr o Index por dezenas e dezenas de tópicos. Mas guardem o essencial. E o essencial, no que concerne ao barbarismo necessário, é isto: que o acessório não é outra que não o acessório.
Muito bom!!! huahuahuauh