O último enigma que possivelmente iremos experimentar é a constatação de que o mundo, com toda sua secreta geometria, revelou-se-nos afinal por inteiro, em pleno poente da verdade, e todavia, sem compreendermos bem por que, o rechaçamos feito fosse ele companhia maçante mas benquista – daquele tipo que muito nos agrada, desde que fique calada [...]
Arquivos para a Categoria ‘Devaneio’
O último enigma
Posted in Devaneio, Literatura, com etiqueta Carlos Drummond de Andrade on Junho 6, 2009 | 7 Comentários »
Um nobre escotoma
Posted in Devaneio, História, Religião, com etiqueta Nietzsche on Março 25, 2009 | 6 Comentários »
Ler Nietzsche traz-me à mente uma imagem poderosa, que condensa quase tudo que penso a seu respeito: a de um pintor exímio, um verdadeiro maestro dotado de pleno domínio das técnicas de sua arte, que tomasse o pincel com o propósito de pintar um arco-íris quando, na outra mão, sustenta uma aquarela que não dispõe [...]
Futuro da direita brasileira
Posted in Devaneio, Política, com etiqueta Erros temíveis on Março 18, 2009 | 4 Comentários »
“Não gosto de Shakespeare. Ele nem era anticomunista, pô”.
As duas vias
Posted in Devaneio, Religião, com etiqueta Fernando Pessoa, São João on Março 4, 2009 | 2 Comentários »
“Jesus lhes disse: ‘Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra’” (Jo 4, 34). Fernando Pessoa, em “Passos da cruz – XIII”, escreveu: “Não sei se existe o Rei que me mandou. / Minha missão será eu a esquecer, / Meu orgulho o deserto em que em mim [...]
Solidão
Posted in Devaneio, com etiqueta Grey's Anatomy on Fevereiro 23, 2009 | 6 Comentários »
Do mundo, ser o único heterossexual – macho, viril, implacavelmente másculo – que acompanha Grey’s Anatomy sem se ruborizar nem pedir desculpa aos amigos.
Sejamos perfeitamente óbvios (4)
Posted in Devaneio, com etiqueta Perfeitamente óbvio on Fevereiro 23, 2009 | 1 Comentário »
É natural ter dúvidas sobre se a profissão pela qual se optou é a que melhor se adequa a nossa vocação, ou ao menos a que a sufoca mais delicadamente, ou ao menos a que ainda nos permita lembrar que um dia acreditáramos possuir semelhante coisa. É natural temer que inexista Deus, temor sem o [...]
O Tradicionalista Cúmplice de Fratricídio
Posted in Devaneio, Religião, com etiqueta Mal, Perenialismo, Pititim Sorokin on Fevereiro 17, 2009 | 3 Comentários »
Flagrar a própria arrogância, ao menos a mim, é um meio vital de perceber que existe algum estrato da realidade de evidência aberrante – tal como uma estrela evadida e aspiralada dum quadro qualquer de Van Gogh, que a maus olhos é só frescurinha – a que não estamos dando a devida importância. Ontem, veio [...]
Antes de falar de J. Roth, uma nota sobre austro-húngaros
Posted in Devaneio, História, com etiqueta Blasé, Franz Kafka, Império Austro-Húngaro, Joseph Roth, Silvia Saint, Stefan Zweig on Fevereiro 4, 2009 | 1 Comentário »
Devo dizer que sempre que ouço falar em austro-húngaros quedo em simpatia imediata. Só as memórias de Stefan Zweig já são suficientes para tornar o antigo império uma espécie de Babilônia renascida, como se os habsburgos houvessem construído uma cosmópolis pequeno-burguesa capaz de manter unidos, à bala, uma multitude alucinada de etnias as mais exóticas. [...]
Teria pensado Rimbaud?
Posted in Devaneio, Literatura, com etiqueta Rimbaud on Fevereiro 1, 2009 | Leave a Comment »
“Desfazer-se de uma vocação por destituí-la de disciplina – eis como garantir uma estadia no inferno, e uma estadia que não lhe permitirá inscrever o título Une saison en enfer em frontispício algum, se muito em acres paisagens de triste Abissínia. Desprezar uma verdadeira vocação é sempre um defeito da vaidade, vez que vaidade é [...]
Sejamos perfeitamente óbvios (2)
Posted in Devaneio, Filosofia, Política, com etiqueta André Breton, Érico Nogueira, Conservadorismo, Cristianismo, Deus, Direita, Mário Ferreira dos Santos, Murilo Mendes, Perfeitamente óbvio on Janeiro 22, 2009 | Leave a Comment »
Já vi pessoas questionarem se, além da superioridade intelectual dos gostos aí implicados, bem como para lá de uma simples predisposição, um ânimo, uma nuança de caráter, há alguma justificativa “natural” para o conservadorismo. De maneira reta: se a opção (que só pode ser moral) pelo conservadorismo se trata da percepção de algo que você, [...]
Cosac&naifymania, ou O Leitor Materialista
Posted in Devaneio, Maus modos, com etiqueta Erros temíveis, Platão, Vilém Flusser on Janeiro 20, 2009 | 4 Comentários »
Lia este texto de Vilém Flusser sobre o Fedro quando comecei a recordar de meus tempos de cosac&naifymaníaco. Primeiro, é preciso dizer que a cosac&naifymania não se limita ao espírito do tarado intransigente – “mas é claro que também se lê com as mãos, tocando a aspereza do livro, sentindo o cheiro de suas páginas, [...]
De como, em tempos soberbamente vis, a comunhão com uma ou duas verdades pode nos tornar Legião
Posted in Devaneio, com etiqueta Aborto, Erros temíveis, Mal on Janeiro 18, 2009 | Leave a Comment »
Vocês já devem ter percebido que o chato não é um ser unívoco. O chato é no mínimo Legião, tem mesmo numerosas fuças, não fosse ainda o caso de dizer ser ele uma hidra na qual, para cada cabeça que lhe cortamos, nasce outra e outra – and counting until out of all count. Sob [...]
Sejamos perfeitamente óbvios
Posted in Devaneio, com etiqueta Deus, Erros temíveis, Imaginação, Imortalidade, Infinito, Perfeitamente óbvio on Janeiro 12, 2009 | 1 Comentário »
Mesmo hoje, sempre rio um bocado quando lembro de professores a me contarem que, antigamente, o homem acreditava que o planeta Terra tinha o formato de uma pizza, e, caso ultrapassássemos sua borda, cairíamos infinitamente no nada. Convenhamos que era uma idéia fabulosa, algo a que valia a pena dar crédito ilimitado. De outra ponta, [...]
Instinto quixotesco
Posted in Devaneio, Literatura, Política, com etiqueta Aristóteles, Chesterton, Cristianismo, Dom Quixote, Italo Calvino, Perfeitamente óbvio on Janeiro 6, 2009 | Leave a Comment »
Que eu conheça, a visão mais bem acabada – e de uma hilaridade cruel – do que é nosso instinto quixotesco em estado puro, e em cegueira estonteante, é a metade bondosa do visconde partido ao meio de Italo Calvino. É aquele arremedo de cavaleiro nobre, altivo e de gentileza infinita, que justamente por querer [...]