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Arquivos para a Categoria ‘Literatura’

Retorno para vos pedir meditais o texto que se seguirá. Contém-no o volume Meu encontro com Deus (La Seconda Nascita), de Giovanni Papini, págs. 136-139. É de largo proveito que o façais. Nas “tebaidas da cultura pátria” – alguém diria, e com necessária gravidade – cai-me à mente que pouca coisa parece de somenos importância [...]

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“O que digo é: o conservadorismo precisa aprender a jogar também dentro das regras da academia de esquerda, sob o risco de enclausurar-se em discursos meramente laudatórios sobre este ou aquele autor. Seguir o caminho que proponho evitaria parte da radicalização e ainda permitiria aos conservadores trabalhar com o campo semântico da maioria dos leitores [...]

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Há quase um ano, lancei sobre um opúsculo sem brio algum do José Miguel Wisnik a crítica de que o que ali se pratica é uma subespécie da já muito reducionista abordagem sociológica dos documentos literários artísticos. Se olharmos para certa porção – ancha porção – da crítica literária praticada nas últimas décadas, perceberemos que [...]

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A Máscara do Mal
Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa
Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.
Compreensivo observo
As veias dilatadas da fronte, indicando
Como é cansativo ser mau
Bertolt Brecht (1898-1956)

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O último enigma que possivelmente iremos experimentar é a constatação de que o mundo, com toda sua secreta geometria, revelou-se-nos afinal por inteiro, em pleno poente da verdade, e todavia, sem compreendermos  bem por que, o rechaçamos feito fosse ele companhia maçante mas benquista – daquele tipo que muito nos agrada, desde que fique calada [...]

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Erich Auerbach investiu alguns anos de sua vida no estudo do sermo humilis. A esse tom de discurso – pois é mais que estilo mas menos que gênero – atribui a fundação intelectual da cultura européia, coisa que espanta por fazer-nos ver que a “cultura ocidental” assenta-se sobre uma fé, uma perspectiva, uma compreensão segundo [...]

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Ao historiador Jomar Moraes, com gratidão
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Lago Burnett (1929-1995), se mais lembrado um dia for, o será ainda como cronista. Eu mesmo, em matéria em sua homenagem que fiz publicar ano passado, só citei sua produção em versos ligeiramente, preferindo correr parágrafos a respeito do homem de jornal (imenso, hilário). Ignorância minha. Pois se ao maranhense [...]

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“Still / I think of poetry as it was said / of Alanbrooke’s war diary: a work done / to gain, or regain, possession of himself, / as a means of survival and, in that sense, / a mode of moral life.”
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“Existe algo de horrível nessa vida provinciana, onde nada muda, tudo conserva o mesmo [...]

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Foi publicada, na edição de O Imparcial de ontem, a entrevista  que o poeta Érico Nogueira me concedeu via e-mail e que abaixo reproduzo. Recomendo-lhes a leitura de seu O livro de Scardanelli, volume de estréia, com uma efusão bem além – punho em riste riscando o ar – daquela que os bons modos ajuízam [...]

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Mal imagino como, mas eis que Antonio Cicero escreveu algo que preste em sua coluna na Folha de São Paulo deste último sábado. Não é algo de original, de monstruosamente inteligente, embora seja uma verdade a que vez ou outra devemos retornar: vanguardas artísticas, movimentos de renovação estética etc. só são bem-vindos à proporção em [...]

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Em mais um daqueles embates sobre a nobreza e o tormento de ser o humano um bicho constantemente encruzilhado entre a liberdade e a necessidade, cousa de que não padecem as demais coisas, Goethe responde a Emily Dickinson do lado “b”.

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Desconhecia por completo a existência desse judeu austro-húngaro Joseph Roth (1894-1939), nascido ali pela Galícia, território hoje pertencente à Ucrânia.  Acabo de ler seu Jó: romance de um homem simples, história que me pareceu ainda mais forte por ter eu dividido suas páginas finais com as que Lima Barreto dedicou à própria loucura e à [...]

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Teria pensado Rimbaud?

“Desfazer-se de uma vocação por destituí-la de disciplina – eis como garantir uma estadia no inferno, e uma estadia que não lhe permitirá inscrever o título Une saison en enfer em frontispício algum, se muito em acres paisagens de triste Abissínia. Desprezar uma verdadeira vocação é sempre um defeito da vaidade, vez que vaidade é [...]

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Como todo indivíduo de grande mobilidade mental, tenho um amor orgânico e fatal à fixação. Abomino a vida nova e o lugar desconhecido.
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

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Que eu conheça, a visão mais bem acabada – e de uma hilaridade cruel – do que é nosso instinto quixotesco em estado puro, e em cegueira estonteante, é a metade bondosa do visconde partido ao meio de Italo Calvino. É aquele arremedo de cavaleiro nobre, altivo e de gentileza infinita, que justamente por querer [...]

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De minhas descobertas literárias em 2008, a obra do ensaísta Franklin de Oliveira talvez tenha sido a mais grata – e uma dúzia de motivos concorrem para tanto. Dos “externos”, talvez seja o caso de citar ser ele maranhense. Para mim, que cresci entorpecido pelo desprazer continuado e de progressão exponencial de viver em uma [...]

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