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	<title>A Fantasia Exata</title>
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		<title>A Fantasia Exata</title>
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		<title>Pitomba!, Resistência Cultural e que fazer de São Luís</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 20:19:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>1.</strong> Meu amigo José Lorêdo de Souza Filho, proprietário da Livraria Resistência Cultural, escreveu <a href="http://livrariarc.blogspot.com/2011/09/pitomba-neles.html">um texto</a> em protesto aos quadrinhos <em>Cuidado! Jesus vai voltar!</em>, publicados no segundo número da revista <em>Pitomba!</em>, editada por Bruno Azevêdo, Celso Borges e Reuben da Cunha Rocha em São Luís (MA). É certo que haja blasfêmia ali, à qual o livreiro e editor, católico que é, sentiu-se na obrigação de repudiar publicamente, pelo que até se mostrou indignado com os “conservadores” maranhenses – amigos seus – que não se prontificaram em mesmo sentido (seriam covardes, em suma). Antes de mais, tenho a impressão de que Lorêdo mal pegou o sentido dos quadrinhos, bem como tenho a certeza de que mesmo <a href="http://zemaribeiro.wordpress.com/2011/09/17/pitomba-e-resistencia-cultural/">gente que gostou</a> compreendeu pouco, a julgar pelos comentários de ambos. Respondi-lhe que achava louvável sua postura, mas acrescentei que surgia desproporcional: o leitor mesmo sabe que se ligar a TV neste instante talvez encontre blasfêmia bem pior. Além do que, a revista é literária, em sentido amplo, e o quadrinho entrava ali como elemento entre outros. Em suma, há coisas bem mais importantes em que se bater do que numa revista com tiragem de 500 exemplares e jeitão de fanzine – e não desmereço os editores pelo formato da publicação, claro, mas por outros motivos, que em parte seguem na segunda seção deste post.</p>
<p style="text-align:justify;">Digo “coisas bem mais importantes em que se bater” por necessidade intrínseca às condições em que hoje se é obrigado a fazer a guerra cultural. Há mais de dois anos, escrevi <a href="http://fantasiaexata.wordpress.com/2009/01/06/instinto-quixotesco/">esta nota</a> sobre a necessidade de frenarmos nosso “instinto quixotesco”: é preciso estudar muito, fazer o mapa da ignorância e ir ao ataque, com a carga toda, na hora certa, contra o que houver de mais fundamental a nossos problemas presentes. Em não sendo assim, no prazo máximo de três dias o cara que buscar responder a toda e qualquer estrovenga que lhe chegue estará inteiramente louco, um farrapo mental a praguejar alucinado para todos os lados. Não é que isso seja pouco recomendável. É sobretudo ineficiente. E todos os grandes combatentes das últimas décadas – William F. Buckley Jr., Peter Kreeft, Roger Scruton, Olavo de Carvalho e tantos outros – aprenderam a lição, e dela fizeram missão cumprida. Pois é necessário falar ao dono dos porcos: se a voz tiver autoridade suficiente, eles se atiram no abismo.</p>
<p style="text-align:justify;">Do <em>Jornal de Timon</em>, de João Francisco Lisboa, a <em>Problemas Inculturais Brasileiros</em>, de Osman Lins, toda a nossa grande crítica (“cultural”, em sentido lato) foi feita nessas bases – para não citar <em>O Imbecil Coletivo</em>, que todos conhecem. Se um idiota leva cinco minutos para escrever uma porcaria extremamente nociva, é muito provável que tenhamos de estudar cinco anos para dar uma resposta não pontual (ainda que as pontuais sejam necessárias, como a de Lorêdo), mas abrangente e forte o suficiente para que o emissor da bobagem se veja impossibilitado de esconder de si mesmo a verdade: “É mesmo. Sou um idiota e falei besteira. Vou pra casa estudar.” É um sintoma de nossos tempos: qualquer medida enérgica no campo intelectual tem de preliminarmente ser <em>estratégica</em>. No que diz respeito à defesa de Cristo e sua Igreja Católica, então, o panorama é mais delicado ainda.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>2. </strong>Quem folhear a <em>Pitomba! </em>verá que a informa o queixume de sempre, que vai bater em 22: “ninguém faz nada, tudo aqui é provinciano, só tem poeta que bate ponto em fórum, é preciso criar, vamos nos mexer”, e assim se escreve um manifesto, reúne-se um pessoal e vocês sabem o resto. É uma revista tão ruim quanto qualquer outra revista literária ruim feita em outro estado (mas esta edição, pelo que li, tem um poema interessante, mas só interessante, de Tazio Zambi, que não conheço). Não foge ao que de pior se faz em literatura hoje no Brasil, com epicentro em São Paulo, e sobre o que já escrevi alguns textos em blog, revista e jornal, de modo que me pouparei de estender o assunto aqui (até porque o problema já começa a mudar de clave, conforme Xoxó explica neste <a href="http://cariboxoxo.blogspot.com/2011/08/xoxo-conversa-com-b-casoy-sobre-nova.html">texto antológico</a>, do qual não deixo de discordar em detalhes).</p>
<p style="text-align:justify;">Mas bom: nunca li um estudo sério – na verdade, sequer conheço um ruim – que compare o nosso “modernismo” com o encetado em outros países, máxime na Inglaterra (e vem a propósito a edição bilíngüe de <a href="http://odemonioamarelo.blogspot.com/2011/09/lustra-de-ezra-pound-enfim.html"><em>Lustra</em></a>, do Ezra Pound, lançada há pouco). A verdade é que a mesma confusão entre liberdade e inabilidade e entre criação e negação de Oswald &amp; cia. permanece paradigma involuntário de grande parte de quem se mete hoje a escrever (e que por isso não vai estudar Dante Milano, nem Octávio Mora, nem Gerardo Mello Mourão, nem o Drummond de <em>Claro Enigma</em> etc.). O modernismo inglês descreveu uma parábola perfeita, hoje ainda tensa e criativa, que veio de W. B. Yeats até Geoffrey Hill, passando por um Pound, por um Auden. Foi a linha central daquela literatura. Já o nosso bom modernismo tornou-se nossa linha marginal, como o demonstram publicações como <em>Pitomba!</em>. O cosmopolitismo <em>post-modern</em>, aí, entra como maquilagem final. Curioso é que há neste número da revista um texto (<em>Que arte?</em>) do poeta Celso Borges sobre o desvario inculto e glamurizado da arte contemporânea, na qual se chega a gastar milhões numa besteira destinada a meia dúzia de bocós (“Melhor urinar no urinol de Duchamp e de quebra quebrar a cabeça de touro de Picasso. Não há quem aguente Duchamp com champignon”), sem perceber que a revista em que escreve tem algo do mesmo espírito que ataca.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas como tudo numa revista literária pode ser tão ruim? Deixo aqui uma nota, que pode ser desdobrada em estudo mais amplo, sobre uma característica da literatura feita no Brasil nos últimos anos e em qualquer outra época ingrata. Grosso modo, o esteticamente ruim é muito mais universal que o esteticamente bom. Entre dois romances muito ruins há uma convergência sutil, ao passo que entre dois romances muito bons pode haver uma distância fascinante. As inspirações mais remotas que tenho a respeito são um ensaio de Ortega y Gasset e a famosa frase – porém invertida – que abre <em>Anna Karenina</em> (“Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira”). Uma característica universal da arte ruim, pois, é a <em>idealidade menos a realidade</em>. É própria dos ciclos culturais decadentes que Sorokin, em <em>A crise do nosso tempo</em>, chama “idealísticos”. É quando a <em>fantasia</em> deixa de ser <em>exata</em>, é quando a imaginação pretende quedar aquém do conhecimento, é quando, em suma, o eixo da formalidade criativa se desloca do eixo da objetividade apreendida. O formal apartado da base que o justifica é, assim, a arena do imponderável, por ser o reino obtuso da indiferença (“gosto não se discute”), no qual até mesmo afirmar que algo seja ruim torna-se inviável – a hierarquia de valores foi implodida. Assim, conscientemente ou não, é que se publica uma <em>Pitomba!</em>. Assim, com disposição ofensiva ou não, é que não se vê problema em achincalhar o nome de Deus, como nos quadrinhos em pauta, assinados por Rafael Rosa.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>3.</strong> O que, então, fazer de São Luís? Que fazer, afinal, em São Luís? Eu já cansei de dizer – e os leitores bem mais inteligentes que eu, principalmente os de outra cidade, vão desculpar a platitude provinciana – que se deve fazer em São Luís, no nordeste, no Brasil o que se deve fazer em qualquer lugar do mundo: estudar muito e orar com o coração na mão; honrar, enfim, a velha imagem das Escrituras, da Pena e da Espada. Com toda evidência, livros, revistas e o mais hão de vir naturalmente. Há muita gente sonhando em ser transgressor, sem suspeitar que, para tanto, é preciso primeiro saber <em>o que</em> transgredir (e isso já faz um tempo).</p>
<p style="text-align:justify;">Passados quase três milênios após Homero, criar é coisa difícil pra c.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/1116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/1116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/1116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/1116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/1116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/1116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/1116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/1116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/1116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/1116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/1116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/1116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/1116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/1116/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=1116&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vida social no paraíso</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 01:01:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Eugen Rosenstock-Huessy]]></category>
		<category><![CDATA[Júlio Fleichman]]></category>
		<category><![CDATA[Max Scheler]]></category>
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		<description><![CDATA[Estava lá Aquiles, que abraçava Enfim Heitor, secreto personagem Do sonho que na tenda o torturava; Estava lá Saul, tendo por pajem Davi, que ao som da cítara cantava; E estavam lá seteiros que pensavam Sebastião e as chagas que o mataram. Nesse jardim, quantos as mãos deixavam Levar aos lábios que os atraiçoaram! Era [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=1069&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Estava lá Aquiles, que abraçava</em></p>
<p><em>Enfim Heitor, secreto personagem</em></p>
<p><em>Do sonho que na tenda o torturava;</em></p>
<p><em>Estava lá Saul, tendo por pajem</em></p>
<p><em>Davi, que ao som da cítara cantava;</em></p>
<p><em>E estavam lá seteiros que pensavam</em></p>
<p><em>Sebastião e as chagas que o mataram.</em></p>
<p><em>Nesse jardim, quantos as mãos deixavam</em></p>
<p><em>Levar aos lábios que os atraiçoaram!</em></p>
<p><em>Era a cidade exata, aberta, clara:</em></p>
<p><em>Estava lá o arcanjo incendiado</em></p>
<p><em>Sentado aos pés de quem desafiara;</em></p>
<p><em>E estava lá um deus crucificado</em></p>
<p><em>Beijando uma vez mais o enforcado.</em></p>
<p><strong>Mário Faustino</strong></p></blockquote>
<p style="text-align:justify;">Há uma página de <em>Itinerário Espiritual da Igreja Católica</em> &#8211; um livrinho simples, mas cheio de intuições inspiradoras &#8211; em que Júlio Fleichman adverte que os jansenistas trouxeram ao catolicismo um padrão de conduta que em muito se parecia com &#8220;a vida social no inferno&#8221;; é a conduta que tem por base o medo, e sabemos que <a href="http://fantasiaexata.wordpress.com/2011/01/20/pequena-biografia-de-um-medo/">o mentiroso, por cuja voz fala Satanás</a>, é antes de tudo um indivíduo que teme, que não se arrisca, que abdica de qualquer ambição sadia e petrifica-se no orgulho de sua pequenez. A seu modo, disso falavam os estóicos ao se referirem à <em>allotriosis</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Já prenúncio do que seja a &#8220;vida social no paraíso&#8221; &#8211; pois é a única coisa que já é o que eternamente será, ensina São Paulo Apóstolo &#8211; é a caridade. Nela repousa o intricadíssimo sistema de expectativas que um homem tem diante do outro, e dela depende, se vista em sua &#8220;forma&#8221; espiritual, toda a teoria do conhecimento: a disposição de ir ao encontro do outro, mesmo que isso o aniquile, faz do homem um ser caridoso, porque o faz vivo, porque o faz politicamente são, capaz de <em>ser</em>, <em>conhecer</em> e <em>conviver</em> com algo até as últimas conseqüências. A fé &#8211; a confiança na pessoa de Cristo e em cada uma das pessoas que nos cercam &#8211; é seu fundamento espiritual; dela vem a disposição à caridade.</p>
<p style="text-align:justify;">Toda pessoa que se oferece ao risco de confiar no amigo vivencia o aspecto pático e prático, humano enfim (que homem é ser capaz de vivenciar pessoalmente valores objetivos), do sentido de unidade de que os filósofos sempre se empenharam em nos fornecer conceitos e símbolos – <em>eidos</em>, <em>heceitas</em>, mônada etc. Assim como toda aposta repousa sobre algo minimamente conhecido, todo conhecimento é uma aposta numa larga faixa de desconhecido. Nesse sentido, é uma fé que supera um medo, e é uma disposição que neutraliza a autodefesa frente ao potencialmente destrutivo – disso depende a política.</p>
<p style="text-align:justify;">Nenhuma filosofia séria pode deixar de levar em conta a fé e a caridade como fundamentos da convivência humana. As formulações clássicas, &#8220;contratualísticas&#8221;, passam ao largo desse fato, embora já Platão tivesse tal intuição como lume de algumas passagens do Livro II da <em>República</em>. Não o ignoram, em medida menor ou maior, os estudos políticos de Olavo de Carvalho (<em>Curso de Filosofia Política</em>), Rosenstock-Huessy (<em>Speech and Reality</em>), Eric Weil (<em>Filosofia Política</em>) e outros. Grande parte dessa incompreensão deve-se a duas confusões adrede construídas: mais antiga, a de que os &#8220;sentimentos&#8221;, por serem vários e subjetivos, &#8220;insubmissos ao trabalho conceitual&#8221; e ligados à nossa parte &#8220;irracional&#8221;, devem cair fora da filosofia. É possível que esse erro date mesmo de antes da publicação de <em>As paixões da alma</em>, com a disseminação, no espírito popular, de uma imagem caricatural do filósofo que tem de abdicar da vida de amores (a história de Aberlardo e outras). A segunda confusão, mais burra e recente, deve-se tão-só à ojeriza de boa parte dos intelectuais modernos por qualquer coisa que cheire a cristianismo. Mas o fato é que Platão, São Paulo e Santo Agostinho deixaram-nos pronto todo um vocabulário técnico que desvela o papel dos sentimentos na gnoseologia. Queira Deus alguém se disponha a estudá-lo, e Max Scheler é com toda evidência o que primeiro vem em nosso auxílio.</p>
<p style="text-align:justify;">A esta altura, alguém, presciente do sentido mais básico deste texto, poderá acusar-me de deduzir com automatismo lógico &#8211; e por vício de uma determinada formação (catolicismo, escolástica etc.) &#8211; que da &#8220;vida social no paraíso&#8221; vem o padrão da socialidade humana, assim como, em linguagem de dois mil anos, da &#8220;Jerusalém celeste&#8221; vem a imagem que serve de ideal à &#8220;Jerusalém terrestre&#8221;. A filosofia política de autores cristãos corre sempre o risco de retornar a esta tese &#8211; que, se bem sentida, é inteiramente correta &#8211; como escudo contra a realidade. Mas para &#8220;validá-la&#8221; basta que a preenchamos com seus elementos concretos &#8211; ainda que aqui não se queira provar nada.</p>
<p style="text-align:justify;">O Juízo é, de forma geral, a suspensão do ato de determinação, limitação, que deu origem ao mundo e a tudo que nele acontece, que a história, esta ciência da Queda, permite-nos conhecer. A compressão da experiência da eternidade na moldura do tempo e do espaço cessa, e há como que uma explosão do universo que se autoilumina &#8211; de modo que o &#8220;fim do mundo&#8221; é o momento preciso em que o ato de ser e o ato de conhecer se aproximam vertiginosamente. É o meio-dia total, pleno, inabrandável. Como se lê em Lucas 12, 2-3:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">Nada há de encoberto que não venha a ser revelado, nem de oculto que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito às escuras, será ouvido à luz do dia, e o que houverdes falado aos ouvidos nos quartos, será proclamado sobre os telhados.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Trata-se da identificação da esperança com a realização do esperado, do compromisso assumido com seu cumprimento. Trata-se da comunhão final, quando se verá <em>um deus crucificado / Beijando uma vez mais o enforcado</em>, como escreve Mário Faustino. Todo palavra dita e todo ato realizado guardam em si a imagem da conciliação final, quer vista em sua manifestação na <em>pólis</em>, quer no <em>lógos</em>. Pois é feita de comunhão, distinta em fé e caridade, a &#8220;vida social no paraíso&#8221;, que dá a medida de cada empresa humana. Nossa ciência política &#8211; &#8220;instituições&#8221;, &#8220;democracia&#8221;, &#8220;representatividade&#8221;, &#8220;estado de direito&#8221; &#8211; está cheia de nomes pomposos que se referem a nada, ou quando muito a elementos secundários, inespecíficos, por advirem duma ciência de homens demasiado confiantes, porque investidos de uma confiança no que lhes <em>parece</em> possível fazer; não no que <em>sabem</em> impossível de ser feito.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/1069/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/1069/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/1069/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/1069/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/1069/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/1069/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/1069/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/1069/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/1069/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/1069/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/1069/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/1069/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/1069/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/1069/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=1069&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nota sobre &#8220;Dois&#8221;, de Érico Nogueira</title>
		<link>http://fantasiaexata.wordpress.com/2011/08/24/nota-sobre-dois-de-erico-nogueira/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 19:51:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Érico Nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[Erich Auerbach]]></category>

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		<description><![CDATA[[Publicado em Imparcial, ago. 2011. Leia texto sobre O livro de Scardanelli e entrevista com seu autor aqui.] Dois (2010, É Realizações), mais recente livro do poeta paulista Érico Nogueira, que rápido alcança paridade aos grandes da literatura nacional, é ponto de torção do arco de uma lira que, posta em circulação com O livro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=1045&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">[Publicado em Imparcial, ago. 2011. Leia texto sobre <em>O livro de Scardanelli</em> e entrevista com seu autor <a href="http://fantasiaexata.wordpress.com/2009/04/01/entrevista-com-erico-nogueira/">aqui</a>.]</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Dois</em> (2010, É Realizações), mais recente livro do poeta paulista <a href="http://ericonogueira.blogspot.com/">Érico Nogueira</a>, que rápido alcança paridade aos grandes da literatura nacional, é ponto de torção do arco de uma lira que, posta em circulação com <em>O livro de Scardanelli</em> (2008, É Realizações), o faz partícipe das duas linhas mestras de nossas letras: a dos grandes arquitetos do verso, de Manuel Botelho de Oliveira a Bruno Tolentino, e a dos saltadores de abismos rumo a Deus, de Cruz e Sousa a Ângelo Monteiro.</p>
<p style="text-align:justify;">O que se encontra em <em>Dois</em> são registros de uma “paidéia” muito pessoal, por dizer respeito à pedagogia que o homem Érico se impôs: buscar “Roma” (a salvação, a luz divina, a veracidade da existência), ainda que ela seja “este poço / de secreções e beijos de granito”. Pois “viver o que nos mata todos vivem, / saber vivê-lo, sim, é ave rara”. No livro anterior, como Scardanelli (pseudônimo da loucura de Hölderlin), Érico dramatizara a idéia de que, em poesia, a experiência mais particular só pode ser expressa por meio do artificialismo congênito à verdadeira arte – e o realismo, a ele como a Auerbach, é o que de mais alto se constrói sobre uma pira em que queimam o real e o imaginado.</p>
<p style="text-align:justify;">Tal tema ainda se apresenta em <em>Dois</em>, todavia como parte de uma busca: a apropriação de si mesmo, que é apropriação dos grandes temas da poesia ocidental por meio de experimento sutil, atualíssimo, da potencialidade dos metros clássicos. Veja-se que na seção “Deu Branco”, que narra em nove poemas uma viagem a Roma, o poeta dá ao alexandrino ritmo que nunca assumiu em língua portuguesa: “Roma, enfim – chego bem, só que tarde demais; / estátua e praça e tudo não como o esperado / (o mundo é tão certinho na fotografia); / ouço ‘Deus mora ali, bem ali, logo além’, / mas, olhando o tamanho da fila, meu Deus, / é bom ficar de fora; um giro na cidade”.</p>
<p style="text-align:justify;">O preceito de Goethe de que o artista só alcança maestria por demonstrar destreza nas limitações naturais à sua arte é norte ético a Érico Nogueira. Por isso importa-lhe a “cópula impossível” entre pensamento e realidade, “o tônus e o tino”, instinto e intelecto, sexo e Deus, ritmo e sentido. “Porque o contentamento / não há de ser luxúria ou celibato”, Érico Nogueira tem olhos para a unidade que fundamenta todas as dualidades da existência, por saber que “a ocasião se colhe como a uva / que a chuva não encharca, e o sol não tosta”.</p>
<p style="text-align:justify;">Espanta o domínio que Érico, conhecedor do hexâmetro grego (ele traduz Teócrito em seu doutorado) aos ritmos ibéricos, estabelece sobre todos os metros em senhorio cabal, com a presença, às vezes, de um riso indisfarçável, remate da autoconsciência de quem cria. Sua rima toante tem a sutileza do silêncio (“unir” / “aqui”; “par” / “Há”; “jogo” / “corpo”; “gosto” / “vôo”). Talvez porque sua busca por si, por Roma e pela perícia em poesia só possa, afinal, ser apreendida em <em>sotto voce</em>: “Quando o dia se apaga, dentro e fora, / e a luz se adensa em nódoas pelo breu, / alguém intui que algo se demora / cujo nome, se houve, se perdeu”.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/1045/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=1045&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mais tolices sobre Machado de Assis</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Aug 2011 20:54:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[José Miguel Wisnik]]></category>
		<category><![CDATA[Machado de Assis]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Schwarz]]></category>

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		<description><![CDATA[[Recentemente me perguntaram por este texto, saído em novembro de 2008 em O Imparcial, do qual sequer me lembrava. Dava-o por perdido, quando o encontrei. Republico-o aqui quase que só por curiosidade, até porque o tom de algumas passagens hoje me incomoda.] Que se diga, desde logo: nenhum escritor brasileiro teve tantas tolices vazadas em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=1019&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">[Recentemente me perguntaram por este texto, saído em novembro de 2008 em O Imparcial, do qual sequer me lembrava. Dava-o por perdido, quando o encontrei. Republico-o aqui quase que só por curiosidade, até porque o tom de algumas passagens hoje me incomoda.]</p>
<p style="text-align:justify;">Que se diga, desde logo: nenhum escritor brasileiro teve tantas tolices vazadas em seu nome quanto Machado de Assis. Desde o epíteto de &#8220;um mestre na periferia do capitalismo&#8221;, que Roberto Schwarz lhe atribuiu no famoso livro (1990) em que tenta mostrar que os romances de Machado detém uma &#8220;cristalização da ideologia de classes&#8221; brasileira, até chegar ao ponto cretino de afirmar que a fragmentação formal de <em>Memórias Póstumas de Brás Cubas</em> é reflexo do &#8220;vaivém ideológico da classe dirigente brasileira&#8221; (comparação análoga seria dizer que um triatleta, necessarimente, teria um texto &#8220;ligeiro&#8221;), vê-se um estonteante cortejo de asneiras. Trata-se apenas de cavalgar o escritor a fim de divulgar idéias daquele que analisa, não do analisado. A crítica sociológica que se erigiu em torno de Machado configura, geralmente, fraude intelectual.</p>
<p style="text-align:justify;">Claro que, já bem antes de Schwarz, Antonio Candido, para me fiar a um só exemplo, dera contribuições grotescas nessa seara. No entanto, neste ano de centenário da morte de nosso maior escritor, chama atenção <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=2625442&amp;sid=74124417213821620607587839"><em>Machado Maxixe: o Caso Pestana</em></a> (Publifolha, 2008, 96 págs.), de José Miguel Wisnik, que, respeitado articulista da Folha de São Paulo, se apresenta como caso quase clínico de crítico obstinadamente empenhado em não compreender nada da literatura de Machado de Assis. Aqui, é bom lembrar a distinção – genérica, mas ainda sensata – feita pelo crítico Antônio Carlos Secchin: a literatura brasileira divide-se entre os que querem explicar o Brasil (descendentes de José de Alencar) e os que querem se explicar, no Brasil – linhagem cujo patriarca é Machado. E Wisnik quer explicar a música brasileira a partir da obra de quem pouca bola dava para tais empenhos.</p>
<p style="text-align:justify;">Miguel Wisnik estuda o conto “Um Homem Célebre” (do volume <em>Várias Histórias</em>, 1896), entre outros contos e crônicas (em segundo plano), com o intuito de apreender o desenvolvimento da música popular e urbana no Brasil. O argumento do primeiro conto, em resumo, é este: Pestana é um pianista, compositor com aspirações eruditas frustradas, e que também compõe polcas, gênero então recém importado; e o ponto crucial: torna-se famoso justamente através das polcas, e não por suas sonatas e sinfonias. Essa é a origem de seu tormento. Já o tormento do leitor só tem início em <em>Machado Maxixe</em>: Wisnik tenta, com pontapés subintelectualizados, fazer ver que este dilema irá perpassar toda a música brasileira (delineando a “dialética” entre música popular e erudita), e, em um delírio crítico, diz que a própria obra de Machado de Assis desenha um &#8220;complexo de Pestana&#8221; (pág. 20), à medida que estudaria essas relações. Mas não só em contos e romances.</p>
<p style="text-align:justify;">Porque, escreve Wisnik, também a &#8220;crônica é a polca da literatura, assim como &#8216;a musa da crônica, vária e leve&#8217;, não está muito distante da musa da polca, &#8216;fácil e graciosa&#8217;&#8221; (pág. 29). O que leva o Sr. Winik a polcar essa crônica conclusão? Simplesmente o fato, tão natural a cronistas, de Machado ter abordado em seus textos de jornal um fenômeno social nascente: a difusão da polca e do maxixe, embora não nomeie este. E, porque Machado brincasse com os títulos burlescos dessas composições, a ponto de dizer que, uma hora, não haveria tema que não rendesse título de polca, Wisnik crê que &#8220;a crônica de Machado encena uma polquização geral do mundo, engolfando consigo todos os conteúdos e as formas&#8221; (pág. 28). É certo: a análise de Wisnik é uma verdadeira polca.</p>
<p style="text-align:justify;">Há coisas em <em>Machado Maxixe</em> que fazem eu me perguntar se o autor acredita mesmo no que está escrevendo. A simples presença de um piano de sala em “Um Homem Célebre”, ao lado da obviedade de que o instrumento importado era coisa da moda européia, inclusive para tocar as polcas da moda brasileira, leva Wisnik a ver nele um índice do poder brasileiro de reformular, à sua maneira, aquilo que importa (o mito da antropofagia de Oswald de Andrade – sim, mito; pois que povo não toma para si e reformula elementos culturais de outros povos?). E escreve: &#8220;o instrumento já supõe, na origem importada, dois mundos musicais muito distantes entre si, que estamos vendo se cruzar aqui o tempo todo: o repertório de salão e o repertório de concerto&#8221;. Mas, como? O simples dado de se tratar de um piano indica que ele remeta ao &#8220;repertório de concerto&#8221;, embora nele se toque música popularesca? Deveria o Sr. Wisnik lembrar que, didático exemplo de fusão destes &#8220;dois mundos musicais&#8221;, nós encontramos é nos <em>Choros</em> de Villa-Lobos ou nas  <em>Polonesas</em> de Chopin, com as quais o piano de fato ascende ao mais alto nível de composição erudita, mas sem perder a referência popular.</p>
<p style="text-align:justify;">Aliás, boa parte dos equívocos de Miguel Wisnik advém de propósitos politicamente corretos, a exemplo desse modismo de, à força, destruir o desnível entre baixa e alta cultura com a indistinção entre popular e erudito. Mas o Sr. Wisnik não sabe nem o que seja o &#8220;politicamente correto&#8221;. Escreve ele que a &#8220;antropologia politicamente correta&#8221; não estudou com rigor a fusão de ritmos brasileiros com europeus; e por &#8220;tabu&#8221;. E lasca a estrovenga: &#8220;Machado administra, pois, um tabu social e pessoal, cercando de silêncio, como sabemos, a sua condição de mulato&#8221; (pág. 38). Será que ainda não ocorreu a ninguém que Machado não tenha tratado de sua &#8220;condição de mulato&#8221; não por recalque, mas por simplesmente considerar isso pormenor autobiográfico, coisa ínfima para se retratar em sua literatura nada panfletária, sem &#8220;teorias do romance&#8221; e autovitimização? Aposto: tivesse Machado abordado a sua &#8220;condição de mulato&#8221; frontalmente, e hoje diriam serem pouco memoráveis os momentos em que o autor tivesse choramingado a opressão que o regime escravocrata lhe impunha&#8230; Isso, sim, teria sido politicamente correto. E teria sido abjeto.</p>
<p style="text-align:justify;">Não dá para apresentar, aqui, todos os equívocos do livro, tão numerosos são. José Miguel Wisnik não possui o que José Veríssimo chamava &#8220;saber dos livros&#8221; (com o necessário respeito ao &#8220;universo do autor&#8221;) e nem mesmo o &#8220;saber da vida&#8221;. Pode ser que eu, com minha pouca idade, detenha pouco do primeiro e quase nada do segundo. Mas eis a diferença entre mim e outros humildes leitores que passam ao largo de toda pompa universitária – nós não nos pomos a escrever bobagens como este <em>Machado Maxixe</em>; apenas lemos Machado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/1019/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/1019/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/1019/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/1019/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/1019/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/1019/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/1019/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/1019/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/1019/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/1019/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/1019/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/1019/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/1019/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/1019/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=1019&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Derrubando totens pernetas</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 18:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Meyer]]></category>
		<category><![CDATA[Marjorie Perloff]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Schwarz]]></category>

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		<description><![CDATA[Ok, certas coisas cansam &#8212; e tanto mais quando tão necessárias quanto tardias. Falo do debate que a Dicta &#38; Contradicta (1,2,3) anda a promover sobre aquele livro do Sr. Schwarz que todos conhecem. Nenhum dos textos lá postados consegui ler de cabo a rabo: não pelo maior ou menor nível de acerto em suas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=875&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ok, certas coisas cansam &#8212; e tanto mais quando tão necessárias quanto tardias.</p>
<p style="text-align:justify;">Falo do debate que a Dicta &amp; Contradicta (<a href="http://www.dicta.com.br/o-sequestro-de-machado-de-assis/">1</a>,<a href="http://www.dicta.com.br/um-bom-resgate/">2</a>,<a href="http://www.dicta.com.br/o-sequestro-da-critica/">3</a>) anda a promover sobre aquele livro do Sr. Schwarz que todos conhecem. Nenhum dos textos lá postados consegui ler de cabo a rabo: não pelo maior ou menor nível de acerto em suas análises, não pelo que considerei conversa fiada, mas precisamente em razão da faixa inevitável de acerto de que todos partilham. Quando se demora duas décadas para pôr abaixo um totem já nascido manco, os demolidores estão fadados a parecer guris, que, impunes, ensandecidos, esmagam formigas com chupetas.</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;">“Olha lá o Ronald, afetado como sempre, querendo pairar acima dos debates da ralé&#8230;”</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Faço apenas duas observações inevitáveis.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>1.</strong> Este debate já houve, e houve mais ou menos dentro de universidades; o problema é que ambos os lados eram, não raro, muito mal &#8212; vamos dizer logo: vergonhosamente mal preparados. Com “ambos os lados” penso em dois tipos de crítica que, sintomaticamente, fecharam-se em torno de dois tipos diferentes de “objeto”: formalistas a estudar poesia, historicistas a estudar prosa. Exemplos os há às pencas, pelo que deixo apenas dois nomes recentes: Cláudio Daniel seria um; José Miguel Wisnik, outro (mexam os pauzinhos para ver que lado cada parte toma). Mas ô Juvenal: e a modinha de discussões em torno a <a href="http://marjorieperloff.com/">Marjorie Perloff</a> há coisa duns dez anos? Pois é: o &#8220;academicamente correto&#8221; é só a cereja do bolo de um entrevero aborrecido entre &#8220;formalistas&#8221; e &#8220;historicistas&#8221;; que ambos estejam errados e inobstante se apresentem vitoriosos à sua maneira é detalhe publicitário. Lembrar que em jornais poderíamos há seis décadas dar de cara com um <em>pau de doido</em> &#8212; utiliza-se tal expressão fora do Maranhão? &#8212; entre Anatol Rosenfeld e Vilém Flusser é um exercício de humildade histórica e orgulho intelectual que dá idéia, afinal, de por que surge aborrecido o presente debate.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>2.</strong> Continuo a achar que dizer a Satanás que ele é satânico não o tornará um santo &#8212; nem a ele nem a ti. Não se salva a crítica literária do Brasil escrevendo respostas ao Sr. Schwarz, embora isso já seja alguma coisa, claro; mas, bem, não se sai disso. Vamos deixar, de uma vez por todas, sagrado e inamovível este ponto deste i: sabemos que o Brasil chegou ao fundo do poço etc. Eu sei, tu sabes. Propalar isso aos quatro ventos não te torna sequer uma pessoa inteligente; talvez te sirva, no máximo, de teste de miopia ou medida autopromocional. Uma dúzia de gente boa já desmoralizou umas cinco dúzias de gente muito ruim &#8212; <em>amen</em>. Mas, e agora, rapaziada? A distância entre quem diz <em>O tempora o mores</em> e quem é capaz de ter certeza de que <em>Exegi monumentum aere perennius</em> é quase a mesma que vai entre o amor do marido traído das canções de Reginaldo Rossi e o amor de Tristão por Isolda em Wagner. São continentes inteiros de experiência e cultura, p.! Exorto os interessados a escreverem grandes obras de crítica literária. Isso é o necessário. Deixemos ao Sr. Schwartz suas batatas; queiramos o Machado daquele <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2586439&amp;tknOrigem=1&amp;tknSearchIdLog=4101956&amp;tknRanking=2&amp;sid=8741243721354810023734253&amp;k5=28547170&amp;uid=">livrinho do Augusto Meyer</a>, ou: façamos algo melhor! Se não, se não &#8212; bem, amigos, ou isso ou nada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/875/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/875/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/875/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/875/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/875/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/875/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/875/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/875/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/875/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/875/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/875/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/875/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/875/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/875/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=875&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Narrar e descrever</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Feb 2011 00:21:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[György Lukács]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo de Carvalho]]></category>

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		<description><![CDATA[[O que exponho a seguir é imensamente problemático, “crítico”; todavia, faço-o porque consciente de que, tratado apenas quanto a seus fundamentos, – os quais, reconheço, receberam formulação vária, conquanto amiúde parcial, deste ou aquele filósofo, às vezes em termos próprios à metafísica, às vezes em termos de lógica ou de mera crítica literária –, tal [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=866&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">[O que exponho a seguir é imensamente problemático, “crítico”; todavia, faço-o porque consciente de que, tratado apenas quanto a seus fundamentos, – os quais, reconheço, receberam formulação vária, conquanto amiúde parcial, deste ou aquele filósofo, às vezes em termos próprios à metafísica, às vezes em termos de lógica ou de mera crítica literária –, tal problema é sólido, é real, é desafiador e nele a mim não cabe nenhuma originalidade. Dito doutra forma: escrevo este post com inteira modéstia, escondendo-me atrás da porta, que espero abra-se aos amigos leitores.]</p>
<p style="text-align:justify;">Quem tenha acompanhado, mesmo só com leituras e análises pontuais, o desenvolvimento da percepção e crítica de poesia do séc. XIX ao XX, saberá que esporadicamente pronunciaram-se os descontentes com a demasiada carga de enunciados “estáticos” em versos, como se à arte poética se houvesse obrigado uma simulação de abolição do tempo. Algo como o que se sente no início dum poema de Trakl: “<em>Decomposição deslizando pelo quarto podre; / Sombras no papel de parede amarelo</em> (&#8230;)” Logo após a morte das vanguardas de início de novecentos, alguns começaram a precisar o problema: a “poesia moderna”, em suma, carecia de verbos, de ação; é como se nela nada se passasse, até se limitando a uma descrição sem fim, à la <em>egotrip</em>, de uma coisa qualquer, concreta ou abstrata. Críticos literários haviam intuído o que, em linguagem de filósofo “profissional”, poderia ser assim expresso: não se pode definir aquilo que previamente não se tenha percebido sequer como analogia; é como querer que alguém seja capaz de dizer “aquela pedra é um mineral com tais e tais propriedades” antes que tenha experimentado que “há uma pedra à minha frente”. A diferença específica pede um gênero a que vá se aplicar; ou: a descrição depende de uma narrativa que lhe seja subjacente.</p>
<p style="text-align:justify;">György Lukács (<a href="http://letrasuspdownload.wordpress.com/2009/08/24/flt0124-texto-narrar-ou-descrever/"><em>Narrar ou Descrever?</em></a>), que eu saiba, foi o primeiro a dar formulação clara à distinção de operações tão elementares à comunicação: quem pensa, fala ou escreve, basicamente, ou <em>narra</em> ou <em>descreve</em>. Embora com outros interesses e partindo de princípios metafísicos (e não de constatações em textos literários, como faz Lukács com fins sociológicos), Olavo de Carvalho é importantíssimo ao conhecimento desse estrato da realidade com o estudo <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11012644&amp;sid=740116211131183431640274&amp;k5=1A9AC092&amp;uid="><em>Os Gêneros Literários: Seus Fundamentos Metafísicos</em></a>, entre outros. O <em>Isagoge </em>de Porfírio – com os comentários que Mário Ferreira dos Santos lhe faz – também importa muito à “discussão” (eis uma palavra viperina).</p>
<p style="text-align:justify;">Quem descreve um fato encaminha-se ao <em>quid</em> pela via lógica, ao passo que aquele que o narra encaminha-se ao <em>quid</em> pela via metafísica. A narrativa “No princípio era o Verbo”, para que seja compreendida, depende da definibilidade de cada uma de suas palavras, a qual, idealmente, encontrar-se-ia em um dicionário onde cada palavra teria externada não só sua forma semântica, mas também lógica (um dicionário inexecutável, evidentemente). Entretanto, só o narrado é que dá intelegibilidade ao definido, ao descrito analiticamente. Aquele que dá seu testemunho (“Eu vi Satanás cair do céu como um raio”) empenha-se em uma narrativa; aquele que explica a narrativa empenha-se em uma descrição. Os Evangelhos são narrativas; a teologia são descrições. Isto muito nos diz: a verdade, nós sempre a conhecemos como uma narrativa; explicá-la, – que pena –, só o podemos fazer com descrições mais e mais abstratas. Acolhai esta pergunta como critério &#8220;hermenêutico&#8221;: que está a nos dizer um filósofo que tanto se dedica a explicar, explicar, explicar, pouquíssimo nos <em>contando</em> acerca do que fala?</p>
<p style="text-align:justify;">Quando narramos, cheios de sinceridade e medo do falso testemunho, tendemos a acolher a objetividade que o real nos endereça. As descrições analíticas que superpomos ao narrado já dizem respeito quase que só a nós mesmos: uma fórmula matemática não nos apazigua o espírito por ser uma descrição refinadíssima mais do que temos a <em>dizer</em> do mundo e menos do que tem ele a nos <em>mostrar</em>. A filosofia permite que o real nos alcance ao nível de uma fervorosa narrativa; as ciências, quando muito, permitem que <em>nós</em> nos aproximemos do real com gélidas descrições.</p>
<p style="text-align:justify;">Em termos de simbolismo tradicional, seria bastante fácil demonstrar que a <em>forma</em> da narrativa apontaria ao Um, ao círculo, ao passo que a <em>forma</em> da descrição encontraria análogo no Quatro, no quaternário. Tudo isto leva a crer – ou melhor, leva-me a crer, e é só nisto que estou por minha inteira conta neste escrito – que narrativa e descrição são, metafisicamente, gêneros supremos cujo melhor aclaramento traria compreensão mais vívida de nossa experiência. Espero, afinal, que essa investigação seja de interesse a mais alguém.</p>
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		<title>Pequena biografia de um medo</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 14:11:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Eugen Rosenstock-Huessy]]></category>
		<category><![CDATA[Platão]]></category>
		<category><![CDATA[Satanás]]></category>
		<category><![CDATA[Vilém Flusser]]></category>

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		<description><![CDATA[[Este texto não é uma “autobiografia interior”; ou melhor, só o é de um único aspecto de minha formação, cujo valor, objetivo, poderá interessar a alguém mais que não apenas eu. Afinal, só nisso reside o sentido de divulgar o texto, ao qual dei expressão pueril de forma deliberada.] Sempre tive medo do Diabo. Só [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=856&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">[Este texto não é uma “autobiografia interior”; ou melhor, só o é de um único aspecto de minha formação, cujo valor, objetivo, poderá interessar a alguém mais que não apenas eu. Afinal, só nisso reside o sentido de divulgar o texto, ao qual dei expressão pueril de forma deliberada.]</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre tive medo do Diabo. Só muito recentemente, o que é pena, cheguei a compreender por que a realidade de Satanás, o “príncipe deste mundo”, é tão inescapável quanto a do Pai, Filho e Espírito Santo. A recordação mais antiga que tenho de interesse por um livro leva-me a uma gaveta, na qual envelhecia uma daquelas edições populares, pequenas e de capa azul, do Novo Testamento, seguido ou precedido – não recordo – dos Salmos e Provérbios. Lia algum versículo, não entendia; mas a coisa toda tinha uma gravidade aprazível, semelhante ao medo de, sozinho em casa (o que acontecia com freqüência), dar de cara com o Maldito. As duas coisas – aquele prazer, este medo – se uniam, embora eu não soubesse como. Também lembro que, criança, tomei dum opúsculo de minha mãe sobre Nossa Senhora de Fátima; só, aprendi a rezar o terço, e assim não iria para o inferno, segundo pensava. Já era alguma coisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao longo da adolescência, à medida em que arcava com novas responsabilidades, a impressão de que algo a meu redor pudesse ter parte com o Mal punha-me em suspeita imediata perante todo o quadro de minha conduta. Eu chorava como um bezerro, penitenciava-me em pensamento, depois corria ao video-game e deixava a sensação evadir-se. O problema é que, não muito depois, eu quase renegaria meu batismo; começara a me interessar por uma estrovenga chamada “filosofia”; lera <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=118423&amp;sid=740116211131183431640274&amp;k5=222854C5&amp;uid="><em>O lobo da estepe</em></a> e decidira que, um dia, eu também ponderaria friamente, face a um espelho, enquanto fizesse a barba, a possível sensatez do suicídio; decorara alguns versos de Rimbaud (<em>Elle est retrouvée. / Quoi? – L’eternité. / C’est la mer allée / Avec le soleil</em>) e me determinara a buscar minha própria Abissínia. Em uma palavra: as questões realmente fundamentais, eu mas obscurecera; guardava-as ainda, sem freqüentá-las, pois conotavam medo.</p>
<p style="text-align:justify;">Houve um dia-chave. Foi quando vi uma foto de Michel Foucault de olhos cerrados; sentado e de pernas cruzadas, tinha um ar introspectivo de quem faz ióga e ama a “cultura oriental”. O texto que ilustrava dizia datar a imagem da fase final da vida do francês, quando ele dera apoio (inclusive escrevendo artigos entusiásticos) à revolução islâmica no Irã. “Que p. é essa: o cara que escreveu <em>Vigiar e Punir</em> foi puxar saco do Khomeini? Como pode?”, pensei então. Isso, há uns cinco anos. Não demorei a concluir que ele estava pouco se importando se o “biopoder” crescia ou não; o que ele detestava era o que via equivocadamente como sustentáculos dessa domesticação dos “corpos dóceis”: para não ter de citar em ordem alfabética dúzias de nomes, contento-me em dizer “católicos”. Desde então vim a flagrar vexames similares em outros autores. Eu percebera que, a despeito da impossibilidade de um indivíduo conhecer inteiramente a si ou a outrem, é possível conheçamos uma pessoa sob aspectos que lhes são insuspeitos; eu, que detestava psicologia moderna, verificara a validade desse seu pressuposto <em>de facto</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu havia chegado – prossigo – à suspeita de que os “filósofos” poderiam não saber muito bem do que estavam falando. Sobretudo, de que eles poderiam não dar a mínima para isso. Havia um autocentramento doentio nos autores que lia à época: “crio minhas regras, jogo meu jogo; mudo minhas regras, jogo outro jogo; pois o importante é que <em>eu</em> continue jogando para <em>minha</em> platéia”. Entrei na universidade e descobri, com celeridade, o estigma que logo me propiciaria o distanciamento desse desinteresse satânico: a chatice no modo como o indivíduo expõe “seu pensamento”. (Esta gente deve ser imune a problemas reais; logo, querem se livrar dos inconvenientes mais comezinhos, solicitando ao governo que pague as contas de todos os brasileiros com mais uma bolsa sei-lá-o-quê.) Depois eu descobriria que, até teologicamente, o oposto do amor pode não ser o ódio; sim, a acídia: aquela moleza de espírito, sôfrega, que nos impede atinarmos para algo que não diga respeito a nós mesmos. A compreensão profunda deste fato é de importância primeira aos estudos e esforços pessoais que movo em filosofia, certamente orientado, pelas vias mais insuspeitas, pelo <a href="http://www.seminariodefilosofia.org/">Seminário de Filosofia</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">O problema &#8211; permitam-me uma simplificação brutal &#8211; ficara assim, mais ou menos: Cristo nos liberta de nós mesmos tornando-nos mais pessoais, Satanás nos aprisiona em nossa mente tornando-nos menos pessoais. Pareceu-me de grande obviedade que, arquetipicamente, o ser humano pode lançar seu olhar sobre o cosmos a partir de duas perspectivas: a satânica, que não quer ver senão o particular, a coisa tal como está em seu <em>hic et nunc</em>; e a divina, que distingue o parcial no total, que dá a razão do particular na abrangência do geral. Nos detalhes vamos encontrar mais o diabo que Deus, constatação essa que pode servir de premissa a uma demonologia do conhecimento (<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=813430&amp;sid=740116211131183431640274&amp;k5=25E567DA&amp;uid="><em>A história do diabo</em></a>,<em> </em>de Vilém Flusser, é documento útil a esse estudo).</p>
<p style="text-align:justify;">Vejam que, quanto a essas últimas observações, refiro-me aos autores (acadêmicos ou não) mais sérios. Um Kant, por exemplo. São condutas incompatíveis com a preocupação que Platão lembra como própria do filósofo, aquela quanto ao “diálogo que a alma mantém consigo mesma acerca do que ela examina”. Logo vi que alguns não iam além do “diálogo que a alma mantém consigo mesma”. Que outros disso se esqueciam e viviam num eterno esmiuçar “do que ela analisa”. Que outros, ainda, esqueciam-se tanto duma coisa quanto doutra e investiam pesado – PhDs, livros, anos de leituras – na compreensão do sentido “sintático-ontológico” da locução adverbial “acerca de”. Isto tudo, num primeiro momento, apenas me trouxe enfado; seguiu-se, não obstante, o medo: a mentira – triunfo do Demônio – agora poderia ser justificada com um sistema, o qual pode dar a mim e a vós muita fama e dinheiro, autorizando as promessas de Satanás em Mt 4,9.</p>
<p style="text-align:justify;">Um dia, vi a imagem de aonde esse satanismo me levaria. Perguntei a um professor, entusiasta de Deleuze, se ele lera pelo menos o <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=267658&amp;sid=740116211131183431640274&amp;k5=383E9DE5&amp;uid="><em>Imposturas Intelectuais</em></a>, que é crítica <em>soft-core</em>, uma coisa entre amigos. Ele me fez o seguinte relato. “Um dia, um amigo, que estava num aeroporto, me ligou e disse: ‘Cara, acabei de descobrir um livro muito doido, que esculhamba esses franceses pós-modernos. Um tal de Sokal, o autor, mostra que eles não sabem de nada do que estão falando, que eles pegam uns conceitos, tipo assim, da física, e usam com um sentido deturpado na filosofia’. Aí, bicho, respondi pra ele: ‘Rapaz, é por isso mesmo que eu gosto’”. Ele disse isso e em seguida começou a rir. Era noite, chovia ao mesmo tempo que fazia calor, e fiquei incomodado com a imagem do mestre formado na USP que caminhava ao meu lado. O medo tomara uma forma assustadoramente palpável: eu não queria ser como aquele homem.</p>
<p style="text-align:justify;">Anos depois, eu daria com um dos motivos de minha inadequação com essas posturas. Numa página brilhante, Eugen Rosenstock-Huessy localiza donde irrompe a fenda que nos tolda, a nós modernos, a compreensão da cultura antiga: o fato de não mais termos medo do Demônio. As modernas teorias da linguagem só poderiam, quando muito, ter alguma utilidade ao trabalho documental: história interna das línguas, reconstituição de textos perdidos, descrições normativas e quejandos. Quanto à compreensão da “força da nomeação original” (Mário Faustino), dela nada poderiam dizer, porque lingüistas não têm medo do Pai da Mentira, e toda luta do homem com a fala visa a derrotar o falso juízo. Afinal, o problema da gênese da linguagem não difere do problema da luta pela sinceridade; daí que teoria da linguagem e esforço pela verdade sejam inseparáveis; é, enfim, o que une e torna compreensíveis os diálogos <em>Teeteto</em> e <em>Crátilo</em>. Se o escopo do homem fosse apenas dizer mentiras, jamais teria começado a falar.</p>
<p style="text-align:justify;">Ou seja: é necessário endereçar a palavra à eternidade, como um santo, como um poeta. Daí todo meu respeito pela boa literatura, pela força da prece, pelo trato de ourives para com os modos de expressão. Daí minha fé: a Palavra que liberta é a que instaura a Salvação. Daí, claro, toda a minha aversão ao grosso das filosofias modernas, cuja maldade mais aparente repousa num feitiço verbal e venal, numa glamurização do inespecífico, do dúbio, da língua bifurcada. Distingue-as, aquelas filosofias, um pacto diabólico entre a ausência de compromisso com a verdade em um sentido não meramente formal e uma indiferença blasfema para com os problemas mais imediatos do comum dos homens (pergunte a Spinoza o que fazer quando sua mãe morrer). Inúmeras vezes Satanás falou através da boca de possessos que objetiva tal pacto. Deus, não obstante, já o julgou. Nós é que ainda aguardamos o Julgamento, e é com ele que estou preocupado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/856/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/856/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/856/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=856&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Questão de ouvido</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jan 2011 20:37:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Tolentino]]></category>
		<category><![CDATA[Camões]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo Bilac]]></category>

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		<description><![CDATA[Todos sabem que Os Lusíadas é rigorosamente decassílabo (pés quebrados os há, mas não recordo algum no momento); e, por “rigorosamente”, quero referir sobretudo versos como (IV, est. 70, v.3) Do rico Tejo, e fresca Goadiana, A rigor, teria ele nove sílabas. O bom ouvido ordena que o leiamos, todavia, assim Do / ri/co/ Te/jo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=827&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Todos sabem que <em>Os Lusíadas</em> é rigorosamente decassílabo (pés quebrados os há, mas não recordo algum no momento); e, por “rigorosamente”, quero referir sobretudo versos como (IV, est. 70, v.3)</p>
<blockquote><p>Do rico Tejo, e fresca Goadiana,</p></blockquote>
<p style="text-align:justify;">A rigor, teria ele nove sílabas. O bom ouvido ordena que o leiamos, todavia, assim</p>
<blockquote><p>Do / ri/co/ Te/jo, e/ fres/ca/ Go/a/dia/na,</p></blockquote>
<p>ou assim</p>
<blockquote><p>Do / ri/co/ Te/jo, e/ fres/ca/ Goa/di/a/na,</p></blockquote>
<p style="text-align:justify;">pois seu ritmo pede o hiato, e minha sensibilidade pede a segunda escansão à primeira (no caso, acento na nona não fica bem). Não me debiquem, por favor, nem acusem de dar importância imerecida a assunto aborrecido. Esta matéria, que fala à faina, à arte de poeta – que eu, não sendo um, sei só de ouvir falar –, é para nossa literatura das mais interessantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Motivo: os parnasianos (com seus méritos, vamos e venhamos) e o <a href="http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/00292800">manual castilhista</a> de Olavo Bilac haviam proscrito à poesia brasileira de fins do séc. XIX / princípios do séc. XX as tonicidades silábicas que fogem ao esquema tradicional, que privilegia a sinérese (sons vocálicos próximos em aglutinação, numa mesma palavra ou entre mais de uma); assim, até hoje temos gente a escrever versos silabicamente regulares, porém ritmicamente truncados, quando não de evidente mau gosto. Coisa de fazer vergonha alheia.</p>
<p style="text-align:justify;">É exemplar que Manuel Bandeira, no <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=200195&amp;sid=740100182121227858533289611&amp;k5=141F74A0&amp;uid="><em>Itinerário de Pasárgada</em></a>, tenha contado da libertação que lhe fora descobrir “irregularidades” geniais em Camões; especificamente, as do sexto e décimo terceiro versos deste soneto:<span id="more-827"></span></p>
<blockquote><p>O céu, a terra, o vento sossegado&#8230;</p>
<p>As ondas, que se estendem por a areia&#8230;</p>
<p>Os peixes, que no mar o sono enfreia&#8230;</p>
<p>O noturno silêncio repousado&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O pescador Aónio, que, deitado</p>
<p>Onde co’o vento a água se meneia,</p>
<p>Chorando o nome amado em vão nomeia,</p>
<p>Que não pode ser mais que nomeado:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ondas (dizia), antes que Amor me mate,</p>
<p>Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo</p>
<p>Me fizestes à morte estar sujeita.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ninguém responde; o mar de longe bate;</p>
<p>Move-se brandamente o arvoredo;</p>
<p>Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.</p></blockquote>
<p style="text-align:justify;">Guardemos, pois, esta lição. É lição já de muito dada pelos trovadores galego-portugueses e que, graças a Deus, foi acolhida pelos nossos melhores poetas, inclusive os mais recentes, como Bruno Tolentino; para ilustrar, segue belo poema seu de <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=22165969&amp;sid=740100182121227858533289611&amp;k5=A8A1FEF&amp;uid="><em>As horas de Katharina</em></a>:</p>
<p style="text-align:justify;">
<blockquote><p><strong>O desmaio</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desmaiei certa vez</p>
<p>na varanda, no espaço;</p>
<p>caí, quebrei o braço</p>
<p>tentando ver as três</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pessoas da Trindade,</p>
<p>buscando entender Deus!</p>
<p>Invejava aos ateus</p>
<p>sua tranqüilidade,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>a douta indiferença</p>
<p>que abole o invisível</p>
<p>e instala o ser ao nível</p>
<p>do canudo que pensa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje invejo bem menos</p>
<p>esse ser doutoral</p>
<p>que os olhinhos serenos</p>
<p>da ave, do animal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fui olhar de soslaio,</p>
<p>resvalei num vazio</p>
<p>e não O vi: senti-O&#8230;</p>
<p>Mas desde seu desmaio</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>a douta equilibrista</p>
<p>de patinha engessada</p>
<p>já não inveja o artista,</p>
<p>inveja a passarada</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>feliz de não ver nada&#8230;</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/827/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=827&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dumitru Staniloae fala-nos</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Jan 2011 13:19:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Dumitru Staniloae]]></category>

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		<description><![CDATA[O amigo José Santini compartilhou no Facebook o vídeo abaixo: Dumitru Staniloae (1903-1993), teólogo romeno, a falar da Santíssima Trindade, a realização cristã do amor e a indispensabilidade de Cristo a qualquer ciência séria. Achei-o tão valioso que resolvi passar-vos adiante. Espanta principalmente a clareza e obstinação de uma consciência que &#8211; vede os olhos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=796&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O amigo <a href="http://www.facebook.com/profile.php?id=100000156265035">José Santini</a> compartilhou no Facebook o vídeo abaixo: Dumitru Staniloae (1903-1993), teólogo romeno, a falar da Santíssima Trindade, a realização cristã do amor e a indispensabilidade de Cristo a qualquer ciência séria. Achei-o tão valioso que resolvi passar-vos adiante. Espanta principalmente a clareza e obstinação de uma consciência que &#8211; vede os olhos do homem &#8211; está de todo voltada para O inteiramente fundamental.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://fantasiaexata.wordpress.com/2011/01/03/dumitru-staniloae-fala-nos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/vQcdBa2CFew/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/796/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=796&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">ronaldrobson</media:title>
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		<title>“Balada literária”</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 17:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ronaldrobson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebo a :singular 2, publicação jornalística produzida pelo Instituto Itaú Cultural. Alunos de jornalismo de vários estados escreveram as reportagens nela estampadas, no que é fruto do programa Rumos Jornalismo Cultural 2009-2010. [Participei da edição 2007-2008; a matéria que fiz, sobre a coleção particular de gravuras de Arthur Azevedo, leiam-na aqui.] Pois bem: deparo-me, ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=785&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Recebo a <em>:singular 2</em>, publicação jornalística produzida pelo Instituto Itaú Cultural. Alunos de jornalismo de vários estados escreveram as reportagens nela estampadas, no que é fruto do programa <em>Rumos Jornalismo Cultural 2009-2010</em>. [Participei da edição 2007-2008; a matéria que fiz, sobre a coleção particular de gravuras de Arthur Azevedo, leiam-na <a href="http://www.itaucultural.org.br/bcodemidias/001071.pdf">aqui</a>.] Pois bem: deparo-me, ao folhear a revista, com a reportagem que queria ter escrito; com a sugestão de recenseamento da canalhice dos escritores brasileiros hoje celebrados; com um texto, enfim, aspeado emblematicamente com falas canhestras, nas quais quase se pode ouvir o chilrear característico daqueles cuja vida sugere tanta nobreza de espírito quanto a imagem de uma camisinha usada. O autor deste testemunho de a quantas anda nossa arte oficial – sim, porque até subsidiada pelo Ministério da Cultura – é Rafael Pereira, que cursa jornalismo na UFRJ.</p>
<p style="text-align:justify;">[Digo “arte oficial” e recordo de <a href="http://veja.abril.com.br/130705/p_124.html">notícia auspiciosa</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Mamata das letras</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Um movimento de escritores reivindica 30% de um fundo de 40 milhões de reais para a "criação literária". Eis algumas propostas </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Financiamento de caravanas de autores que viajariam pelo país para divulgar seus livros em universidades</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Compras governamentais de livros editados pelos próprios escritores, eliminando a intermediação das editoras</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>- Concessão de vinte bolsas por ano para os escritores criarem seus livros, totalizando uma despesa anual de 700 000 reais</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Algumas das <em>personae</em> do “movimento Literatura Urgente” são citadas abaixo. Outras, embora não diretamente – e falo por conhecê-las: quando beócio, até trocar e-mails e bater papo com elas fiz, divulgando-as, inclusive –, comungam nas mesmas idéias.]</p>
<p style="text-align:justify;">Poupo-vos de minha escrita; acreditai-me: sei que já perdeu a graça falar mal do atual estado de coisas etc., embora seja de grande importância jamais cessemos de fazê-lo. Anoto esta postagem, todavia, só a ilustrar os males a que conduzem vulgaridades sutis como as de que falei nos dois textos anteriores.</p>
<p style="text-align:justify;">Passo agora a citar trechos da matéria, intitulada “Uma literatura performática”, que, vereis, falam por si só. O porém primacial, pois há alguns, é que o autor do texto achou a coisa toda muito curiosa e interessante, havendo até recordado – dá-lhe, Baco! – dos “banquetes na Antiguidade” (não deve conhecer a palavra <em>saturnal</em>); talvez seja ele também um baladeiro, não sei. Mas, ao que interessa. Advirto-vos: grifos meus.<span id="more-785"></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>O que [...] causou espanto – vincular a figura do autor e sua obra a uma empresa comercial – hoje é café pequeno na frenética busca de visibilidade no mercado literário. O escritor tornou-se uma figura pública, que pontifica em congressos, festas, palestras, feiras de livros etc. Ao lançar seu livro, espera-se que ele dê entrevistas, aceite convites para maratonas de autógrafos, leituras públicas e aparições em talk-shows da moda. Todos recordam que, um tempo depois de receber o Nobel de Literatura, em 1998, o escritor português José Saramago declarou que não lhe sobrava mais tempo para escrever. A clássica pergunta “Como você escreve?” divide agora as atenções com outra pergunta: “Como você divulga o que você escreveu?”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>[...] escritores mais jovens, como Nelson de Oliveira – que desde 2007 passou a assinar seus livros como Luis Brás –, conseguem sobreviver não propriamente da venda de livros, mas de sua <strong>presença no sistema literário</strong>. “O que me faz participar desses eventos é a remuneração. Não conheço escritor da minha geração que sobreviva só com direitos autorais”, diz o autor do Pequeno Dicionário de Percevejos, que é também conhecido por suas <strong>oficinas literárias</strong> e projetos editoriais. Essa necessidade de estar em evidência é reforçada por uma das principais vozes do mercado editorial, Luciana Villas-Boas, editora do Grupo Record, a editora que mais publica autores brasileiros na atualidade. Ela acredita que é inevitável exigir do novo escritor essa postura quase teatral. <strong>“O autor precisa mostrar sua persona literária em eventos”</strong>, diz.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>[...] “Desde sempre existiu esta atuação do autor. O que mudou foi a forma como o mercado passou a enxergar essa figura”, sintetiza Joca Terron, autor de Sonho Interrompido por Guilhotina. Há um grande circuito criado para que o escritor apareça. <strong>“Caso o autor queira sobreviver no mercado, é preciso entrar neste sistema de celebridades”, reitera Joca.</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>[...] Coisas estranhas passam a acontecer na vida literária brasileira.<strong> “Na verdade, quase não escrevo”, diz Marcelino Freire</strong>, que viaja o país com o espetáculo Contos Negreiros, baseado em seu livro homônimo e que conta com a participação da cantora Fabiana Cozza. Ex-ator, o pernambucano Freire tornou-se o mais completo exemplar dessa <strong>nova função do escritor</strong>.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>[...] Alguns minutos em sua companhia bastam para você entender por que ele mesmo afirma que escreve tão pouco. Atende ao celular, que já tocava havia um bom tempo. “Sim&#8230; Amanhã, claro, que horas? Afe Maria! Tudo bom, o.k., abraço”, era um novo convite que surgira. No dia anterior à nossa conversa, Marcelino esteve presente em dois eventos. Após a entrevista, participaria de um sarau em Brasilândia, periferia norte de São Paulo. No dia seguinte, uma participação especial em um show no centro da cidade. Dias depois, uma viagem para o Rio, onde o <strong>Marcelino oficineiro entraria em  ação</strong>. E ainda tem o blog, <strong>a produção da Balada Literária, o Twitter&#8230;</strong> “Minha agenda é lotada. Mas o que me interessa é deixar a literatura próxima à vida. <strong>Literatura é uma festa, mas que me cansa às vezes</strong>”.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A internet é o novo palco de atuação do escritor personagem. A divulgação é enorme, mas é também um espaço em que as pessoas não controlam totalmente sua própria imagem. [...] Vender a imagem mais do que os próprios livros pode ser uma contradição com a qual os escritores contemporâneos precisam conviver. “Não crio conscientemente um personagem para mim mesmo. <strong>Mas me vejo em situações em que incorporo uma persona</strong>, ou sou interpretado como um personagem pelo outro”, declara Terron. Apesar dessas dúvidas, ele se diz viciado no mundo virtual. Diariamente, posta textos e imagens em seus dois blogs (Sorte &amp; Azar S/A e Terronismos!), Facebook e Twitter.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O “escritor tatuado” Santiago Nazarian segue outra linha de atuação. Figura andrógina, gótica, monocromática, maquiagem pesada, que já praticou body art, ele admite que já tentou. “No início da minha carreira, quis realmente criar um personagem, ou, pelo menos, forçar um personagem criado pela mídia”, diz Santiago Nazarian, <strong>conhecido como o “escritor tatuado” </strong>e autor de Mastigando Humanos. Acredita, porém, que a onda dos personagens se esgotou. <strong>“O escritor não é tão bom personagem como um pop star ou um ator, ele não vende tão bem com a vestimenta pop”</strong>. [...] Ele está em orelhas de seus livros, em fotos na quais aparece sangrando (em referência à body art) ou <strong>babando um líquido viscoso</strong>. [...]</em></p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fantasiaexata.wordpress.com/785/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fantasiaexata.wordpress.com/785/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fantasiaexata.wordpress.com/785/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fantasiaexata.wordpress.com/785/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fantasiaexata.wordpress.com/785/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fantasiaexata.wordpress.com/785/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fantasiaexata.wordpress.com/785/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fantasiaexata.wordpress.com/785/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fantasiaexata.wordpress.com/785/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fantasiaexata.wordpress.com/785/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fantasiaexata.wordpress.com/785/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fantasiaexata.wordpress.com/785/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fantasiaexata.wordpress.com/785/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fantasiaexata.wordpress.com/785/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fantasiaexata.wordpress.com&amp;blog=5964086&amp;post=785&amp;subd=fantasiaexata&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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