Fraqueza das vanguardas

Mal imagino como, mas eis que Antonio Cicero escreveu algo que preste em sua coluna na Folha de São Paulo deste último sábado. Não é algo de original, de monstruosamente inteligente, embora seja uma verdade a que vez ou outra devemos retornar: vanguardas artísticas, movimentos de renovação estética etc. só são bem-vindos à proporção em que não nos bloqueiem o acesso ao passado. Não bastasse a obviedade de que restrições a formas anteriores sob a pecha de “passadismos” é uma bruta redução do universo de possibilidades de que – queiramos ou não – dispomos, a sanha vanguardista acaba por atentar contra a própria coragem de que um verdadeiro artista necessita: se me proíbo de escrever um soneto, também me proíbo, por extensão, de me comparar a Shakespeare ou Petrarca. E quem quer que se abstenha da humilde valentia de se comparar aos maiores é tão só um fraco, um covarde, um ser incapacitado para o “prazer do difícil” (W.B. Yeats).

Hoje, diz-se que não há mais vanguardas, que não se escreve mais manifestos, que inexistem “movimentos”. É fato, em geral. Mas o que não se pode negar é que – sobretudo nas artes plásticas (que p. é arte pós-moderna?) – os cacoetes vanguardistas de há um século permanecem em moda, moldando até mesmo o vocabulário dos próprios críticos. São uns fracos, repito. Uns covardes. O fato de que vanguardas sempre gerem uma cômoda e burra reciclagem póstuma de si mesmas só mostra qual é sua real natureza. Abaixo, o artigo do Antonio Cicero. Continuar a ler