Sobre o medo de ser flagrado lendo Olavo de Carvalho

Se há uma coisa especialmente idiota a acometer muitos dos leitores, ex-leitores, alunos ou ex-alunos de Olavo de Carvalho, é isto: desprezá-lo apenas para posar de diferente. Isso possui um segundo motivo, até compreensível, que comento logo à frente. Mas, de imediato, a causa de tal rejeição parte da sensação de que toda e qualquer pessoa jovem minimamente inteligente a existir hoje, no Brasil, não passa um dia sequer sem ler Olavo de Carvalho. E, ora, você não quer ser só inteligente: você quer ser o mais inteligente. Até aí, não há o que condenar. Obstrução canalha a essa aspiração, todavia, é este meio escolhido para realizá-la: já que todo mundo está lendo Olavo, eu preciso rapidamente digerir tudo o que ele ensinou, começar a ler uns autores nunca citados por ele, e – cereja do bolo – dizer que “Olavo já deu sua contribuição à cultura brasileira, já passou, agora eu e meus amigos é que vamos fazer e acontecer”. É batata: entro em blogs de conservadores e liberais e percebo uma espécie de pacto de silêncio em torno a Olavo após terem chupado seu olho até mais não poder e, sobretudo, até mais não compreender. Isso é de um receio pueril: medo de se tornar caricato, de ter impresso em sua testa a marca dos “novos iguais”. Medo, por exemplo, de criar um perfil no Orkut e entrar em cascata naquelas comunidades correlatas tão ao gosto new conservative brasileiro: Olavo de Carvalho, Mário Ferreira dos Santos, Gustavo Corção, Bruno Tolentino, Otto Maria Carpeaux, José Osvaldo de Meira Penna, José Guilherme Merquior, Ortega y Gasset, Eric Voegelin, René Girard…

Esse modo de querer fazer-se visto é parte de algo que só vejo ser abordado, e parcialmente, por Pedro Sette Câmara. Mais de uma vez, já disse ele que a disputa entre conservadores e comunistas no Brasil é, mais que uma disputa honesta, um duelo de imagens: e o fato de o time dos conservadores – como alguém já disse – não lotar nem uma kombi é mais um fator a tornar nossos direitistas uns seres histrionicamente empenhados em empinar o nariz e se considerarem infinitamente acima dessa coisa que chamamos, com humildade e aquiescência ao que Deus nos consagrou, “consciência humana”. Aliás, naquela aula estranhíssima – de tão equivocada – do Massimo Borghesi que está na Dicta & Contradicta nº 2, há, todavia, uma síntese brilhante do que resultou do desbunde da geração 68 e da french theory (como chamam os americanos) que a acompanhou: o revolucionário pariu o burguês em estado puro. Pois bem. De forma similar, porém invertida, o Brasil passa – talvez eu esteja delirando, vendo coisas, mas vejamos – por um troço mais bisonho ainda: o novo direitista brasileiro age de forma mais à esquerda que as nossas mais jurássicas esquerdas. Nossos direitistas se idiotizaram antes mesmo de ter nascido por aqui alguma direita. Ou dito de outra forma: o direitista brasileiro mal viu a luz e já se pariu à imagem e semelhança do revolucionário em estado puro.

Há algumas características, principalmente na linha mais highbrow, que fazem com que jovens intelectuais conciliem a defenestração de Olavo a uma mentalidade de gueto iluminado cuja postura, diante dos problemas da ordem do dia, é em tudo igual à presunção de tipo gnóstico que ampara a estrutura cognitiva do revolucionário. Há várias, mas, para não tornar este post mais extenso do que já está, citarei uma apenas: a anglofilia. Algo como querer ser um inglesinho chique só para zombar desse pessoal breguérrimo que lê o brega do Olavo – algo como querer levar a sério o personagem que Alexandre Soares Silva criou para si. Porque, de fato, Olavo de Carvalho não é chique e nem se esforça para ser. E ora: além de ter de ser educado por alguém que todos os meus “pares” estão lendo, ainda terei de agüentar a breguice desse meu professor? Enfim: também já é cool ser um conservador elegante e chique. O que penso disso? Nada. Nem ligo. Eu mesmo sou só um subdesenvolvido falando mal do subdesenvolvimento, como me descreveria Nelson Rodrigues.

E aqui chegamos ao segundo motivo, mais plausível e referido no início deste post, para a renegação de Olavo de Carvalho: muita gente em débito com ele agora dá uma de gostoso porque uns 70% de seus leitores são uns seres nauseabundamente chatos. Mais uma vez, direita e esquerda batem as ancas: politizaram todos os seus interesses. É, por sinal, uma gama de leitores que não vai além dos artigos de jornal do Olavo e que se interessa infinitamente mais por política que por cultura. É uma gente que não dá muita bola à astrocaracteriologia, à teoria dos quatro discursos, à metafísica cuja ontologia toma as posições de sujeito e objeto como abstrações e não dados da realidade, à paralaxe cognitiva, à descrição dos mecanismos cognitivos próprios à mentalidade revolucionária, à dinâmica do Império no mundo ocidental – e demais contribuições originais do Olavo (sem falar nos empreendimentos editoriais). Só querem saber de PT, Obama, FARC e vocês sabem todo o resto. De minha parte, acho bastante nobre a postura de quem se encarrega disso: porque eu simplesmente não tenho saco. Minha paciência é dedicada a temas e estudos que não me permitem me inteirar tanto quanto eu gostaria a respeito desses assuntos “da ordem do dia”. Mas sempre acompanho. Só não faço deles os meus segundos, terceiros ou sequer quartos interesses – pois são os últimos. E, retornando ao que eu queria dizer – não é possível julgar um autor pelos seus maus leitores. Mas é isso que se tem feito com Olavo.

Em resumo, eis o fato que tanto incomoda a muitos: a centralidade de Olavo de Carvalho no que se salvar da atual cultura brasileira. Sua obra transformou os debates intelectuais minimamente honestos do Brasil em um jogo de cartas marcadas. Uma hora, um irá brandir seu Voegelin na cara do adversário. Noutro momento, o segundo surpreenderá com uma citação de Rosenstock-Huessy. Quando o debate se aproximar do ápice, um dos contendores dirá que o outro está tomando o verossímil por provável, em uma alusão à teoria dos quatro discursos. E assim por diante.

Mas, afinal, o que fazer quanto a isso? Eu, como sempre (dizem meus inimigos), tenho uma solução: não fazer nada, apenas continuar estudando. Naturalmente, os meus e os seus estudos deverão se encaminhar para onde nossas alma, seriedade e dedicação indicarem. Pois, a propósito, qual o problema em passar dois, três, cinco ou dez anos digerindo um autor? Que mal haveria, sei lá, em ler Mário Ferreira dos Santos durante a vida toda? Isso é de uma canalhice que me deixa crispado de ódio – a canalhice de “colecionar” autores “diferentes” a fim de tornar mais evidente a sua pinta de “intelectual”, como se leituras rápidas e dispersas produzissem algo mais que cansaço mental.

*

Outro dia, em tom de pilhéria, um amigo me disse que Olavo de Carvalho salvou minha vida intelectual – ou mesmo minha vida. Que, se um dia eu não tivesse aberto O Jardim das Aflições, continuaria lendo Hakim Bay e Guy Debord e me lambuzando no ódio de minha impotência. Eu apenas disse que sim, é verdade, e com uma gratidão sincera. Pois é por essas e outras que não tenho vergonha de ser leitor de Olavo de Carvalho. Não quero ser diferente às suas custas.

*

(Alguém poderá perguntar se não tenho nenhuma objeção a fazer a nada do que Olavo escreveu. É claro que tenho, assim como a qualquer outro autor. Mas não darei isso a público por um motivo evidente: não passo de um moleque de 20 anos. Se com o tempo, estudo e reflexão tais objeções continuarem a me parecer procedentes, cessarei de compartilhá-las em conversas privadas e divulgá-las-ei, pelo menos, em blog. Isso, claro, se alguém além de meus amigos se interessar pelo que tenho a dizer.)

43 thoughts on “Sobre o medo de ser flagrado lendo Olavo de Carvalho

  1. Muitos dos direitistas criticados neste texto não são capacitados, nem pretendem realmente sê-lo, para a vida intelectual sincera. Tanto assim que tomam acidente por essência. Essencialmente, Olavo de Carvalho é um intelectual, e só acidentalmente é um comentarista político. Essa inépcia para distinções básicas ocorre porque no Brasil não é necessário ser intelectual para ser comentarista político, idealmente bastando ser um esteta. Os futuros direitistas incultos mas razoavelmente versados em autores recomendados por Olavo, tais como os que o autor do texto prevê, poderão até passar por cultos e elegantes, mas só aos olhos de gente tão superficial quanto eles, e não ao critério dos verdadeiros intelectuais formados por ele, para quem passarão como meros micos a macaquear não mais que “poses & trejeitos”.

  2. André, creio que, em linhas gerais, você tem razão. Eu não subescreveria, no entanto, essa oposição entre “falsos intelectuais” e “verdadeiros intelectuais” – e por dois motivos que não a tornam, todavia, inverdadeira: 1) Alguns dos que tentam afetar diferença às custas do Olavo têm, mesmo assim, uma coisa ou outra de sensata a dizer, pois mesmo um canalha pode ter intuições sinceras e originais, embora acidentais; e 2) Oposições desse tipo só fazem acirrar o que exponho no post – é preferível não tornar, nem semanticamente, Olavo um ponto de referência bélico, algo como o front de combate no qual os “falsos” e os “verdadeiros” terão de mostrar o seu valor.

    Um abraço,

    R.

  3. Caro Ronald,

    fiquei muito feliz ao saber a sua idade e que se interessa mais pelo intelecto do que pelo que pelo que tem no estômago e em seu baixo ventre.
    Saúdo a sua clareza de pensamento e espero que com a maturidade não venha a arrogância que domina a muitos.
    Não sou letrado, portanto, tenho dificuldade em entender muito do que o grande Olavo de Carvalho escreve. Conto sempre com pessoas como você, para me ajudar a compreender e me orientar em meus estudos.
    Que Deus o ilumine e proteja de todos os males, que se torne tão grande quanto Ele quer que sejas.

    Abraços fraternos,

    Randolfo.

  4. Ronaldrobson,
    Mas não é justo que tais direitistas queiram passar por cultos e finos só por serem direitistas, pois no Brasil de hoje a mais alta fonte de prestígio intelectual que a direita poderia ter é Olavo de Carvalho, que eles, como você diz, renegam. Assim, estão praticando usurpação de prestígio intelectual ou no mínimo sua ocultação. Se quiserem ser “verdadeiros intelectuais” a afrontar a esquerda, então que dêem criação a uma outra elite intelectual: anglófila, chique, com uma filosofia de superação à de Olavo, conforme tudo o que lhes convier. Afinal, quantos deles, por exemplo, estão inscritos no novo Seminário de Filosofia? Ou você concorda que, numa hipótese de futuro, eles se tornem pomposos líderes direitistas sem qualquer gratidão ou menção a Olavo? (P.S. no Brasil atual já há profissionais da palavra que devem seu destaque ao fato de terem começado a defender idéias originalmente olavianas, sem porém o confessar, mas estes ao menos nunca alegaram formar uma elite intelectual, nem muito menos constituir um movimento de direita.)

  5. Prezado Ronald,

    A filosofia é algo de pessoal, algo que diz respeito à alma e não à aldeia. Daí porque muitos pedagogos indiquem o isolamento como condição para o estudo e reflexão.

    Querer tornar a atividade intelectual uma arma política é simplesmente se iludir e se afastar do conhecimento.

    Olavo de Carvalho mudou minha vida e é meu mestre para os restantes dias de minha caminhada.

    Esta caminhada, até onde me levou, não revela algo de sublime em mim, mas antes o curioso despertar de uma lembrança, de algo que já estava aí e não me pertence.

    Permita-me uma citação de Chesterton:

    “Confesso francamente todas as ambições idiotas do fim do século XIX. Como todos os outros menininhos pomposos, tentei colocar-me à frente de meu tempo; e descobri que estava 1800 anos atrás. Forcei minha voz com penoso exagero juvenil ao proferir minhas verdades. E fui punido da maneira mais adequada e engraçada, pois mantive as verdades: mas descobri, não que não eram verdades, mas simplesmente que não eram minhas. Quando imaginei que estava sozinho encontrei-me de fato na ridícula posição de receber o apoio de toda a cristandade. Deus me perdoe, mas talvez eu tenha tentado ser original; mas só consegui inventar por minha própria iniciativa uma cópia inferior das tradições existentes da religião civilizada. O navegador pensou ser o primeiro a descobrir a Inglaterra; eu julguei ser o primeiro a descobrir a Europa. Tentei fundar uma heresia só minha; e quando lhe dei o último acabamento descobri que era a ortodoxia”.

    Com meu abraço,

    João Guilherme

  6. Acho que o que o André quis dizer é algo que verifico por experiência pessoal: há certos direitistas que pensam que são de direita simplesmente porque são de elite. Mas neste caso temos três coisas a distinguir: ser de direita, ser de elite, e ser intelectual. O único destes que exige um princípio intrínseco na consciência individual é o ser intelectual, os outros dois sendo mais extrínsecos e acidentais a ela. Quanto ao Olavo, só é garantido que ele é intrinsecamente um intelectual. Já quanto aos jovens gentlemen-wannabes, podem até ser de elite, mas não é garantido que sejam intelectuais, e talvez nem mesmo direitistas, pois para sê-lo hoje é preciso reconhecer que o Olavo fundou uma consistente maneira de ser intelectual e ser de direita no Brasil.

  7. João, tive preguiça de consultar a revista para lhe dar uma resposta mais detalhada. Há, porém, alguns pontos que logo me vêm à mente. Por exemplo, a atribuição de um “sentimento cristão” ao progressimo da década de 60, com as premissas reformistas dos jovens destes anos não sendo de orientação marxista. O problema é que o Borghesi em nenhum momento diz, então, quais seriam essas premissas. Não diz também por que, não sendo marxistas, viriam a tornar-se em um momento imediatamente posterior. Sua desculpa parece ser a de que a aliança marxista entre utopia e violência seria fruto de uma reação a algumas afrontas ao “desejo de solidariedade” então reinante – mas quais foram essas afrontas? Aqui, o raciocínio do autor é quase risível, pois aponta efemérides incapazes de, reunidas, formar um “quadro” de ameaças àquele desejo (supondo-o existente, aliás…): assassinatos de Kennedy e Luther King, Guerra do Vietnã, crise dos mísseis em Cuba… Como tudo isso isso poderia enervar uma revolta tão esforçada em fazer com que nada do mundo que fizesse referência à transcendência tenha algum sentido? E, voltando ao tal “sentimento cristão”, por que diabos o Concílio Vaticano II teria contribuído para sua disseminação? Que pareça papo de rad-trad, mas a propaganda católica daí surgida só era valorizada pelo viés político, e não religioso – era coisa meio fake.

    Enfim, o Borghesi até chega a boas conclusões, mas muitas delas advém de premissas equivocadas. A melhor parte do texto acho que é o trecho em que fala da passagem da ideologia coletivista do marxismo para o “mundo light”, “muito ok” da globalização. Dois papos furados e perigosos.

    Abraço,

    R.

  8. Que texto ótimo, descobri via o link postado no site do olavo.

    Realmente não entendo como alguém possa achar que “Olavo já deu sua contribuição” quando o que ele publicou até agora parece ser só uma ponta de iceberg comparado aos textos que ele tem anunciado como “Ser e Poder, “O Olho do Sol” e “A Mentalidade Revolucionária”.

  9. Caro Robson,

    Seu texto está realmente fantástico, principalmente pela sua idade – pelo que entendi, você tem 20 anos. É de uma maturidade tanto na forma como escreves quanto na elucidação de seus pensamentos.

    Mas me interessou muito sua citação final a respeito de objeções aos pensamentos do Olavo.

    Creio que essa questão espia tudo o que você colocou no seu artigo: é de fato a ausência de uma oposição honesta e profunda acerca dos pensamentos de Olavo que o transformam, para os falsos intelectuais, numa caricatura de discursos e palavrões acerca da “ordem do dia”, a despeito de todos os seus outros textos muito mais profundos que vão além da cultura e transcendem nossa vida material.

    Entendam essa oposição como algo profundo mesmo, no estilo em que Olavo discorda de seus principais como René Guénon.

    Acho urgente que surgam debates sobre as posições de Olavo. Publicamente elas encerram um caráter combativo, mas talvez numa lista privada elas mereçam mais atenção e profundidade – é claro que o próprio olavo não deve ser privado delas. Talvez tímido, ou ingênuamente exposto, fica aqui minha sugestão para parte das questões que você colocou em seu artigo.

    Ademais, um Feliz Ano Novo e que Deus abençoe a todos nós!

    Renato.

    *
    Caso já as tenham, me passem o link que gostaria de participar.

  10. Putaquepariu!, R.S. Robson, ter um texto publicado no site de Olavo de Carvalho é uma ótima maneira de se começar um ano “feliz”, hein? E este texto ter sido o primeiro de seu novo blog é ainda mais honroso. Parabéns!

    2009 promete, e espero que este seja um ano de muitas realizações para todos nós.

  11. Excelente texto. Tenho uma opinião bastante parecida. Ao meu ver o maior mérito de Olavo de Carvalho foi ter promovido uma verdadeira revolução cultural, pelo menos num círculo limitado de “jovens minimamente inteligentes” como você diz. Para estes o exército de autores (muito dos quais você cita), teorias e perspectivas novas trazidos por Olavo de Carvalho passou a ocupar irreversivelmente o lugar que ocupavam os velhos autores, teorias e perspectivas ainda que moldam a mentalidade de nossas universidades e mídia. Enfim ele traz uma nova cosmovisão que não pode ser reduzida ao rótulo de nova direita ou nova direita cultural. Enfim, a minha idéia, talvez um tanto exagerada, é que Olavo de Carvalho delimitou um círculo cultural no qual estão encarcerados (doidos para saírem buscando originalidade e novas referências, o que não tem nada de errado) muitos dos blogs e sites de opinadores desta “nova intelectualidade brasileira” (como definiu o prefaciador da última Dicta e Contradicta), como o pioneiro “O Indivíduo”. Veja o exemplo do excelente autor principal deste site: já foi astrólogo como o mestre, é liberal e católico como Olavo de Carvalho (o que não quer dizer que tenha se tornado católico por causa dele, mas liberal duvido que não!), e atualmente tem como maior influência para seus desenvolvimentos intelectuais René Girard autor que, embora já conhecido no Brasil antes de Olavo de Carvalho teve uma maior divulgação graças a ele. A própria revista Dicta e Contradicta não escapa deste círculo, até porque o seu criador deve muito a Olavo de Carvalho e escrevia nO Indivíduo na época em que este site era uma sucursal assumida do empreendimento cultural olaviano.

    Enfim, há uma ingratidão muito grande por parte desta “nova intelecualidade brasileira” para com Olavo de Carvalho. Dizem que ele está superado sem perceber que ainda não saíram da redoma cultural criada por ele.

    Parabéns. Vá em frente

  12. Vinícius, você compreendeu perfeitamente o que escrevi. Principalmente ao dizer isso:

    (…) Enfim, a minha idéia, talvez um tanto exagerada, é que Olavo de Carvalho delimitou um círculo cultural no qual estão encarcerados (doidos para saírem buscando originalidade e novas referências, o que não tem nada de errado) muitos dos blogs e sites de opinadores desta “nova intelectualidade brasileira” (…)

    Esse é um dos pontos delicados.

    Abraço,

    R.

  13. Ronald,

    considero seu texto muito pertinente, pois é um esse aspecto da mentalidade brasileira, a tagarelice do sujeito que mal lê algo e sai regurgitando seu mal digerido conhecimento.

    Felizmente é algo não que seja impossível de superá-lo, mas torna-se imperante quando não bem no maturação da mente.

    Assim não importa se o indivíduo se diz de direita, ou de esquerda, quando a mente dele opera do mesmo modo.

    O que falta a essa gente é pudor, de aceitação de ser ignorante, que os estudos filosóficos são para a vida toda.

  14. Olá.
    Adorei descobrir o seu blog. Até desencavei o meu velhíssimo exemplar de “A Fantasia Exata” e comecei a relê-lo com prazer renovado. Gostei também do seu blog antigo, que pretendo ler na íntegra além de acompanhar este aqui. É realmente um alívio encontrar boa leitura no mundo dos blogs e sites. Quanto ao prof. Olavo de Carvalho, só posso dizer o seguinte: devo à leitura de seus artigos na imprensa e de seu website (não tive o privilégio de assistir às suas aulas e palestras) a retomada de muitas coisas fundamentais que estavam faltando em minha vida, tais como a leitura dos clássicos e a fé cristâ – só para começar… então é muito importante reconhecer o valor desse homem, coisa que você faz com respeito e sobriedade. Também desejo felicitá-lo pelo que você escreve – admirável, principalmente vindo de pessoa tão jovem (como é que você já leu tudo isso, menino?).
    Um abraço.

  15. Ronald, parabéns e muito obrigado por este ótimo texto.

    “Mas, afinal, o que fazer quanto a isso? Eu, como sempre (dizem meus inimigos), tenho uma solução: não fazer nada, apenas continuar estudando.”

    Esta frase é um diamante e o parágrafo que a contém vale ouro.

    Até breve

  16. Concordo com o Vinicius. O problema que alguns – tipo eu – podem ter é ver-se sem nada para dizer que o Olavo já não disse, e melhor. Sucks!

  17. Ronald, beíssimo texto o seu! Como leitor assíduo do Olavo e de alguns de seus livros não posso ler seu texto e deixar de me identificar com a atmosfera ali presente.

    De fato, muitos leitores e conhecedores do Olavo têm uma tendência a “chutar o balde” com ele e a renegá-lo, algo como uma espécie de rejeição à regressão uterina paterna.

    Sinto isso pessoalmente, como se nós, leitores do Olavo, pudéssemos transcendê-lo depois de nos familiarizarmos com ele. Mas sempre procuro ter uma lição de humildade: sempre que o leio (ou o releio), tomo o golpe e reafirmo: “Puxa, esse cara tem razão!”

    Não faz sentido querer superar alguém de esse alguém sempre cumpre seu papel com a verdade e a razão. Querer superar o Olavo e renegá-lo ao passado é uma atividade egocêntrica que leva a fechar em si mesmo só para dizer que se é superior a ele. Bobagem pura!

    Grande abraço e sucesso no seu trabalho!

    Marcos Boldrini

  18. Lívia, Luiz Ricardo, Cícero e Marcos: obrigado a cada um de vocês pelos elogios generosos; quase descabidos, penso. E ‘ala’: não posso seguir sua sugestão por haver passagens na obra do Olavo que ainda não compreendo bem. E sempre há o risco de que, no que você ainda não entende, venha a encontrar algo que tornaria correta alguma outra coisa que, até então, lhe parecia incorreta.

    Abraços.

  19. Belíssimo texto, caro Ronald.
    Tentarei ser objetivo. A pergunta é a seguinte: os absurdos que Olavo de Carvalho escreve em seus artigos “jornalísticos” não lhe preocupam nem um pouco, em relação à qualidade do restante que ele produz, em seu lado intelectual e filósofo, digamos?
    Eu quero dizer: é fácil verificar que não faz sentido aquilo que Olavo disse em relação aos processos na Suprema Corte acerca da certidão de Obama. Mas não é tão fácil, especialmente para alguém que recentemente começou os estudos, verificar se a teoria dos quatro discursos de Aristóteles de Olavo de Carvalho tem realmente algum grau de aceitabilidade filosófica, ou se não passa de empulhação. Falta-nos (a mim também, eu admito) conhecimento para fazer esse tipo de avaliação.
    Nesse sentido, eu reitero a pergunta, em outros termos: a prudência não nos mandaria rejeitar Olavo de Carvalho em prol de algum autor mais consagrado, mais seguro – quem sabe o próprio Voegelin, que ele próprio indica, entre outros, por exemplo?
    É só uma pergunta. Aguardo a sua resposta.
    Abraços, Bruno

  20. Bruno,

    minha resposta à questão que você propôs é simples: é tolo aquele que, de tanto pavor que tem do pecado, opta por se trancar em casa para não se expor aos “perigos do mundo” – jogará fora, assim, a beleza das virtudes só por receio de se contaminar com a danação dos vícios. Também é tolo quem admite posição semelhante diante da obra de qualquer autor. É necessário se expor. Faz parte do jogo.

    Um abraço.

  21. Ronald,

    Excelente post! De forma menos clara, eu já havia percebido essa tendência dos direitistas negarem Olavo de Carvalho e jamais admitirem que ele é o único que dá a porrada necessária num país onde já se nasce de esquerda.
    Ri muito quando você falou que 70% dos leitore do Olavo são “nauseabundamente chatos”. Acho mesmo que os leitores do Olavo são um dos maiores problemas do Olavo. Há quem mude até o jeito de falar para ficar mais parecido com ele… (!)
    Sua observação sobre “colecionar leituras” é irretocável e me lembrou um ótimo artigo publicado no “Dicta & Contradicta”, intitulado “A leitura não redime ninguém”.
    Outra coisa que me impressionou foi a sua idade, mas isso você deve estar cansado de ouvir.
    Um abraço,

    Marcela Andrade.

  22. Olá, Marcela.

    Seu comentário – sobre os leitores do Olavo serem seu maior problema – me fez lembrar de uma observação que eu já deveria ter feito há algum tempo: por mim, o True Outspeak acabava hoje mesmo. Aquele programa, embora tenha alguns poucos momentos de sinceridade e hilaridade que o fazem valer a pena, não deixa de ser uma grande ratoeira para pegar leitores trouxas. Não que essa seja a intenção do Olavo. Mas, me pergunto: para quê aquele programa? Por quê? Espero que um dia o Olavo se lembre de mandar também seus leitores t.n.c., pois muitos deles ainda emporcalharão sua memória.

    Abração!

  23. Caro Ronald,

    Li seu artigo a partir do site do Olavo de Carvalho. Confesso que não tenho ainda tantos conhecimentos sobre filosofia. Li parcialmente “O jardim das Aflições” e muito dos artigos publicados por ele, e concordo com o que li. Estudo artes visuais, um curso que deveria formar pessoas com habilidades para formular objetos estéticos a partir da reflexão e técnicas. Reflexão esta proveniente de uma bagagem filosófica, baseada em diversos autores.
    O que acontece na universidade é uma massificação do pensamento e da reflexão – um alerta já dado pelo Olavo – a partir da seleção de pseudo-filósofos; uma máquina para fazer “novos revolucionários da arte”, com temáticas de engôdo público como o Aquecimento Global, a aceitação da diferença sexual, campanhas pró-aborto, experiências de alteração da mente, arte social – já vimos isto na arte russa -, entre outros tópicos.
    O essencial da arte se perdeu, extirpando do currículo de filosofia, por exemplo, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, ou qualquer outro autor que tenha falado de estética, mas não pertencente ao rol dos embustes comunistas do século XX, além do aprendizado técnico.
    Ainda há um discurso de arte contra o “mercado”, o que institucionaliza os ateliês de pseudo-artistas, comprometidos em ser contra o “sistema”, mas esquecendo que estes estão criando um “sistema paralelo de sobrevivência”, apenas mudando de rótulo. A arte como uma metralhadora com balas de um pensamento frágil, nas mãos de soldados energúmenos. Uma lata de spray anti-burguesia, com a doutrinação dos jovens pobres fora da universidade dada por Ong´s nos ‘veneráveis’ cursos de teatro, grafitti, reciclagem, dança de rua, etc. O mais engraçado, dessa situação triste, é que muitos não enxergam que participam da constituição ou afirmação de políticas de ‘guetos’; um apartheid que se constitui pela arte.
    Infelizmente, é uma pena que em tempos de disponibilidade de conteúdos na internet, muitos continuem presos às Ementas Criminosas, não vasculhando o que há por trás deste ou daquele conteúdo passado pelo dito “professor” – muitos com uma mente doentia – manipuladores sagazes de jovens idiotizados, sem postura nem condições de observar e analisar o que é proposto por este ou pela mídia.
    Somente quando li alguns dos artigos do Olavo, pude sentir que alguém no mundo estava fora do lamaçal e que não estava nem louca nem sozinha. Realmente, um sinal de alívio e um alerta para o intelecto e para a alma. Quanto a sua idade, fico feliz que já tenha acordado tão cedo, afinal, tem muita gente que está na Micareta ou no Carnafacul, enchendo a lata ao som do trio elétrico, anestesiando a mente, seguindo a multidão.

  24. Robson, você é uma das criaturas brasileiras mais perigosas já surgidas nos últimos anos. Graças a Deus! Já cansei de ver nossa mocidade dourada ostentando camisas do Che.

    Muita saúde e redobrada vigilância!

    Cordial abraço do Thiago.

  25. O verdadeiramente egrégio e superior em uma guerra como esta está em persistir,em nunca se acovardar,nem se amargar,como o Olavo.Quero te ver Robson de aqui a vinte anos se tu vas ser tão valente e sereno com tu es agora.

  26. Ronald, parabéns:

    Além de concordar absolutamente com tuas palavras, senti, ainda, o prazer de ler um artigo maravilhosamente bem escrito, que flui como um rio caudaloso, nos levando até o seu mar de conclusão.

    Impressionante, pois mesmo nos mais badalados escritores atuais, não tenho encontrado essa capacidade.

    Que Deus te abençoe e te dê muita sabedoria nessa estrada.

    Abraços.

    Fabio Blanco
    http://www.fabioblanco.com.br

  27. Bem, quem é Olavo de Carvalho? É um filósofo, isso é certo. É um estudioso, erudito, um intelectual no verdadeiro sentido da palavra. O problema, porém, entre os brasileiros é conseguir acompanhar o pensamento desse grande homem, que está a muitos anos luz à frente. Não como visionário, mas como profundo conhecedor da realidade. Quando ouço Olavo fico pensando em quanto eu realmente deixei de saber. Vejo, como dizia Nelson Rodrigues, que tenho uma ignorância enciclopédica. Mesmo lendo ou ouvindo o que ele diz a respeito da situação política atual, não há como não aprender um pouco. Claro, dista muito do quê ele realmente sabe e do porquê ele sabe o que fala. Já me peguei lendo um mesmo parágrafo por três ou quatro vezes para tentar captar exatamente o que ele está dizendo, tamanha a extensão e profundidade do que ele diz com tanta facilidade e com tão poucas palavras. Os brasileiros que o ofendem, na verdade, estão ofendendo a si mesmos, provando que, mais do que enciclopédica, a ignorância lhes atinge o nível de erudição matematicamente elevada a menos um. Os que têm medo de serem pegos lendo Olavo de Carvalho são tão capazes de defender uma idéia quanto de enfiar a cabeça na areia quando percebem o perigo (como se avestruzes fizessem isso realmente), e na mesma velocidade. No esforço de mostrarem que são novos intelequituais, conseguem atirar no próprio pé sem gemer pela dor. Colaborar com o inimigo não é só elogiá-lo ou apoiar suas idéias. Negar os que proclamam a verdade é a mais pilantra das formas de fazê-lo, também. Então, pergunto: Como alguém que nasceu há duas décadas ou um pouco mais conseguiria discutir com quem nasceu há mais de seis décadas e estuda muito a, pelo menos, quatro décadas? É certo que existem alguns privilegiados, cujas capacidades poderiam se equiparar. No entanto, não é o que acontece. Olavo dialoga com Aristóteles, Platão, Tomás de Aquino e outros dessa envergadura. Não é para qualquer um. Mas ele consegue passar muito do seu conhecimento com extrema capacidade. Assim, quando alguém o critica, pergunto se já estudou algum livro dele. A resposta é quase sempre a mesma: – Pra quê?
    Bem, para poder, no mínimo, saber de fato o que ele está dizendo e não a opinião alheia sobre o que disseram que ele poderia estar tentando pensar. Finalizando, quando um amigo meu voltou de Londres, depois de ter morado lá por doze anos, disse-me que somos realmente um povo atrasado que nunca vai mudar por que não tem cultura e não quer ter. Puerilmente discordei, sentindo como ofensa tais palavras. Depois que conheci um pouco da realidade através das palavras do grande professor Olavo de Carvalho, percebi que as burras, quem as levava era este burro que lhes escreve. Infelizmente, é simples assim, estamos anos luz de distância do conhecimento e da erudição deste grande filósofo, professor, ensaísta, analista político, escritor, autor de filosofia e jornalista, de quem o Brasil deveria se orgulhar profundamente.

  28. Confesso que há um ano atrás eu tinha antipatia por Olavo de Carvalho. A meu ver, ele era um misto de prosélito, fanático, excêntrico e paranóico, que adorava teorias conspiratórias e picardias pretensamente cultas. Eu era mais um estúpido da massa: o típico caso que não se definia como esquerdista, mas dado o conhecimento raso a respeito das principais questões políticas, culturais, sociais e sexuais, eu acreditava na mordaça do “preconceito”, da “diversidade”, da “diferença”. Ainda não tenho – e talvez dificilmente venha a ter – a clareza do Olavo a respeito do mundo. Mas pelo pouco que alcancei nesse último ano, sinto que o seu Olavo realmente é um ser intelectualmente muito acima de mim e do resto, pela profundidade do que diz, a sua capacidade de organização e exposição de idéias, e a excelência daquilo que ele propõe em relação ao que o resto propõe. Olavo é aquela pessoa que beira a genialidade.

  29. Pingback: Sobre o medo de ser flagrado lendo Olavo de Carvalho « O Camponês

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